“Só que o do Lula foi por fora, foi errado.” A frase atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro em áudio divulgado pela revista VEJA nesta sexta-feira (9) é o centro de uma nova revelação envolvendo o Banco Master, o financiamento de um documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva e supostos pagamentos ao Instituto Lula.
Na gravação, Vorcaro compara o dinheiro destinado ao documentário sobre Lula com recursos relacionados a uma produção sobre Jair Bolsonaro. “O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, afirma no mesmo trecho.
Segundo a reportagem da VEJA, Vorcaro relatou ter destinado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para despesas relacionadas ao documentário sobre Lula, além de outros valores que teriam sido pagos ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
O banqueiro teria relacionado os repasses a negociações para ampliar o acesso do Banco Master a recursos de fundos de pensão. O relato foi apresentado à Procuradoria-Geral da República durante tratativas de colaboração premiada, mas a PGR não deu andamento ao caso por falta de provas suficientes, segundo a publicação.
Há uma distinção fundamental: a declaração de Vorcaro e os documentos relatados pela revista não comprovam, por si só, que Lula tenha solicitado, recebido ou autorizado qualquer pagamento. À VEJA, o presidente negou ter pedido ou recebido vantagens financeiras do banqueiro, inclusive por intermédio de terceiros.
A reportagem também registra que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro na ocasião sugerida por mensagens mencionadas no material.
O caso levanta questionamentos sobre a origem dos recursos, a forma dos supostos pagamentos e a relação que o banqueiro afirma ter mantido com intermediários políticos. As alegações precisam ser diferenciadas de fatos comprovados e de conclusões judiciais.
O trecho central da gravação, porém, é explícito sobre a avaliação que o próprio Vorcaro faz da operação: segundo ele, o dinheiro destinado ao filme sobre Lula foi pago “por fora” e “foi errado”.
FONTE: Revista VEJA, reportagem publicada em 9 de outubro de 2026.





