Mensagens atribuídas ao dono do extinto Banco Master indicam gastos de pelo menos R$ 4,3 milhões com contratação de mulheres para festas privadas. Polícia Federal investiga possíveis crimes de exploração sexual e tráfico de pessoas.
O empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, teria financiado uma estrutura de recrutamento de mulheres para festas privadas no Brasil e no exterior, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia. Segundo mensagens divulgadas em uma investigação jornalística, os investimentos identificados somam pelo menos R$ 4,3 milhões.
Os diálogos, registrados entre 2023 e 2025, indicam que Vorcaro participava da escolha das mulheres, autorizava pagamentos e organizava contratações para eventos realizados em São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai.
Refugiadas ucranianas e agência de modelos
Entre os casos identificados está o de uma refugiada ucraniana de 19 anos, que chegou ao Brasil em outubro de 2023. Segundo as mensagens, a jovem permaneceu no país porque sua cidade de origem estava sendo bombardeada.
A apuração também identificou negociações para a compra de 50% da agência Allure Eventos, por R$ 1,5 milhão. O proprietário confirmou o interesse na negociação, mas negou que a compra tenha sido concluída.
Os diálogos apontam que a agência seria utilizada para formalizar a contratação de mulheres destinadas aos eventos.
Festas internacionais e pagamentos milionários
Uma festa realizada em São Paulo, em 2023, teria reunido mais de 100 mulheres. Em Londres, outro evento, em abril de 2024, envolveu a contratação de 99 participantes, segundo as mensagens.
A investigação jornalística também encontrou 21 faturas que somavam aproximadamente US$ 70 milhões, referentes a eventos, hospedagens e outros serviços. Esse valor não representa necessariamente gastos com mulheres, e não há confirmação de que todas as cobranças tenham sido pagas.
Polícia Federal investiga possíveis crimes
A Polícia Federal abriu um inquérito em maio de 2026 para apurar as condições de recrutamento das mulheres e a possível ocorrência de exploração sexual, tráfico internacional de pessoas, violência ou coação.
Entre os investigados mencionados estão os organizadores de eventos Diogo Batista e Leonardo Serrano.
A prostituição voluntária de adultos não é crime no Brasil, mas a exploração sexual de terceiros e o tráfico de pessoas podem configurar infrações penais.
As suspeitas ainda estão sob investigação, e as mensagens divulgadas não comprovam, isoladamente, a responsabilidade criminal dos envolvidos.





