DEBATE NA GLOBO: Lula defende redução da maioridade penal, cobra investigação de ministros do STF e assume falhas do governo
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DEBATE NA GLOBO: Lula defende redução da maioridade penal, cobra investigação de ministros do STF e assume falhas do governo

16/10/2026 | 08:52 Por Redacao

Em entrevista nesta quinta-feira (15), presidente também comentou o caso Banco Master, segurança pública, economia, Bolsa Família, relação com os Estados Unidos e propostas para um eventual novo mandato.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, cobrou a investigação de denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e assumiu a responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas por seu governo.

As declarações foram feitas na noite de quinta-feira (15), durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, como parte da cobertura do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Redução da maioridade penal para crimes hediondos

Lula afirmou ser favorável à responsabilização penal a partir dos 16 anos em casos de crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro.

O presidente, entretanto, defendeu que o tema seja discutido separadamente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, atualmente em debate no Congresso Nacional.

Lula cobra investigação de ministros do STF

Questionado sobre suspeitas de relações entre ministros do Supremo e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Lula afirmou que todas as denúncias precisam ser investigadas.

O presidente mencionou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques ao comentar o caso, sem que a referência represente comprovação de irregularidades.

Segundo Lula, ele já conversou três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a necessidade de apuração. Também defendeu regras éticas mais rigorosas para integrantes do Judiciário.

Presidente assume responsabilidade por dificuldades do governo

Ao avaliar sua gestão e a rejeição de parte do eleitorado, Lula afirmou que não pode transferir a responsabilidade a outras pessoas.

O petista reconheceu dificuldades na comunicação das ações do governo e disse que os primeiros dois anos de mandato foram dedicados à recuperação de estruturas que, segundo ele, haviam sido prejudicadas na administração anterior.

Sobre a governabilidade, afirmou ter conseguido aprovar a maior parte das propostas enviadas ao Congresso, apesar da composição partidária.

Segurança pública e combate às facções

Lula voltou a defender maior participação do governo federal na segurança pública por meio da PEC da Segurança.

Caso a proposta seja aprovada, afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública e transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, se for reeleito.

O presidente também rejeitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, embora tenha defendido uma parceria com o governo americano no combate ao crime organizado.

Caso Banco Master e relação com os Estados Unidos

Sobre o encontro que teve com Daniel Vorcaro, Lula afirmou que o empresário procurou a Presidência alegando perseguição política. Segundo o presidente, a atuação do Banco Central ocorreu com critérios técnicos.

Lula também criticou a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma festa organizada por Vorcaro, em Londres, e disse ter repreendido o dirigente.

Na política externa, afirmou que prefere negociar com Donald Trump sobre as tarifas comerciais impostas aos produtos brasileiros, mas não descartou medidas de reciprocidade caso as conversas fracassem.

Economia, Bolsa Família e dívidas

Lula reconheceu preocupação com a dívida pública, que superou 80% do Produto Interno Bruto (PIB), e defendeu o crescimento econômico como caminho para melhorar as contas públicas.

O presidente também afirmou que desconhecia a ausência de reajuste do Bolsa Família por quase quatro anos e que determinou a correção do benefício após tomar conhecimento da situação.

Sobre o endividamento das famílias, destacou os programas de renegociação de dívidas, anunciou a intenção de ampliar medidas de crédito e citou uma proposta de perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), envolvendo aproximadamente R$ 12,7 bilhões em dívida ativa da União.

Saúde, energia e fim da escala 6×1

Na área da saúde, Lula reconheceu a demora no atendimento pelo SUS e destacou a ampliação de profissionais e de serviços especializados.

Sobre a energia elétrica, atribuiu parte do aumento das tarifas à privatização da Eletrobras e defendeu investimentos em energia limpa.

Nas considerações finais, comemorou a aprovação, no Senado, de uma proposta para acabar com a escala de trabalho 6×1, com duas folgas semanais sem redução salarial. A mudança ainda depende das demais etapas legislativas para entrar em vigor.

Flávio Bolsonaro será entrevistado nesta sexta-feira

O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, participa da série de entrevistas nesta sexta-feira (16), também com Renata Lo Prete.

O último debate presidencial está previsto para 23 de outubro, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli.

Foto: Manuella Mello/Globo/Reprodução