Pesquisa publicada na revista Nature Communications aponta que o derretimento da geleira Thwaites, na Antártida, pode contribuir com até três centímetros para a elevação global dos oceanos até 2100.
O derretimento da geleira Thwaites, conhecida como “Geleira do Juízo Final”, pode provocar um aumento do nível do mar duas vezes maior do que indicavam projeções anteriores.
A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Nature Communications, que estima uma contribuição de até 3,01 centímetros para a elevação média global dos oceanos até 2100, mesmo sem considerar aquecimento climático adicional.
Localizada na Antártida Ocidental, a geleira preocupa cientistas devido ao avanço do derretimento e ao risco de perda de estabilidade.
Água do oceano acelera derretimento da geleira
Segundo os pesquisadores, a entrada de água relativamente quente do oceano sob a geleira é um dos principais fatores responsáveis pela perda de gelo.
O fenômeno ocorre na chamada zona de aterramento, onde o gelo deixa de estar apoiado no fundo do mar e passa a flutuar.
O novo modelo computacional conseguiu representar melhor esse processo ao considerar a infiltração da água por vários quilômetros sob o gelo.
A pesquisa analisou observações realizadas entre 1996 e 2023. Desde meados da década de 1990, a parte ocidental da Thwaites já recuou aproximadamente 25 quilômetros.
Geleira pode perder apoio submarino até 2100
O estudo também identificou riscos relacionados à perda de contato da geleira com a Crista Mouginot, uma elevação submarina que ajuda a estabilizar o gelo.
Em determinadas simulações, a probabilidade de desprendimento desse ponto de apoio chegou a 60% até 2100, com possibilidade de ocorrer já em 2038.
Caso isso aconteça, a geleira poderá recuar em direção a outra elevação do fundo do mar, chamada Crista Sul.
Projeções indicam impacto maior nos oceanos
Dependendo da extensão da área em que a água oceânica penetra sob o gelo, a contribuição estimada para a elevação do nível do mar varia de 8,3 milímetros a 3,01 centímetros até o fim do século.
A projeção mais elevada é aproximadamente o dobro da média de 1,52 centímetro dos modelos internacionais utilizados como referência.
Os pesquisadores destacam que os cálculos mantiveram as condições climáticas médias observadas entre 1996 e 2023, sem incluir aquecimento futuro adicional.
O estudo apresenta limitações, e os cientistas defendem novas medições sob o gelo para aperfeiçoar as previsões.
Os resultados não significam que a geleira desaparecerá até 2100, mas indicam que sua contribuição para a elevação dos oceanos pode estar sendo subestimada.





