Com apenas 39% da área prevista de soja semeada na primeira quinzena de outubro, produtores enfrentam perdas na qualidade do trigo, aumento dos custos e riscos para o milho safrinha.
As chuvas intensas registradas no Paraná durante setembro e outubro de 2026 estão prejudicando a produção agrícola. O excesso de umidade atrasa o plantio da soja, dificulta a colheita do trigo e preocupa produtores quanto ao calendário do milho safrinha.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o plantio da soja atingiu 39% dos 5,7 milhões de hectares previstos até o fim da primeira quinzena de outubro.
Dados do Simepar apontam que 14 estações meteorológicas registraram, em setembro, os maiores volumes de chuva para o mês em mais de 25 anos.
Produtores enfrentam atrasos e prejuízos
Em Manoel Ribas e Ivaiporã, o agricultor Marcelo Alberton, que cultiva 87,1 hectares de soja e 43 hectares de trigo, relata que teve apenas seis dias favoráveis ao plantio desde o início de setembro.
Já em Engenheiro Beltrão e Roncador, Mauro César Volponi dos Santos, responsável por aproximadamente 750 hectares de soja e 180 hectares de trigo, estima atraso de 20 dias. Apenas 30% da soja foi plantada, e a previsão de conclusão passou de 25 de outubro para aproximadamente 10 de novembro.
Em uma semana, suas áreas receberam até 250 milímetros de chuva, provocando erosão e encharcamento.
O produtor também prevê gastos adicionais de R$ 200 por hectare nas áreas que exigirem nova aplicação de herbicidas.
Trigo perde qualidade e valor comercial
A permanência do trigo no campo, devido às chuvas, compromete a qualidade dos grãos e reduz a remuneração dos agricultores.
Segundo a especialista Ana Paula Kowalski, do Sistema FAEP, a umidade favorece doenças e prejudica indicadores utilizados na classificação comercial do cereal, como o peso hectolítrico e o Número de Queda.
Os produtores também enfrentam filas nas cooperativas para secagem dos grãos, aumentando despesas com transporte e paralisando máquinas.
Milho safrinha também pode ser afetado
O atraso na soja pode reduzir o período disponível para o plantio do milho safrinha.
Na propriedade de Mauro Santos, a semeadura do milho, inicialmente prevista para o fim de janeiro, poderá avançar até a primeira quinzena de março.
A situação preocupa porque o cereal será utilizado na alimentação de suínos.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, defende o fortalecimento do seguro rural e de políticas públicas para ajudar os agricultores a enfrentar as perdas provocadas pelas condições climáticas.





