Equipamento foi descoberto por estudantes em Cambé, no Norte do Paraná. Escola confirmou a instalação, mas negou filmagens dentro das cabines. Polícia Civil abriu investigação e Secretaria de Educação determinou providências.
A descoberta de uma câmera de monitoramento no banheiro de um colégio cívico-militar em Cambé, no Norte do Paraná, provocou revolta entre estudantes e motivou a abertura de uma investigação policial.
O caso ocorreu no Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, onde alunos identificaram, na segunda-feira (19 de outubro), um equipamento que estaria registrando imagens no banheiro feminino.
A estudante Alessa Gabriele relatou que não havia sido informada sobre a presença da câmera e afirmou que os responsáveis pelos alunos não assinaram autorização para gravações nos sanitários.
“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro”, declarou.
A instituição confirmou a instalação de equipamentos de monitoramento, mas afirmou que as câmeras estavam direcionadas aos acessos dos banheiros, sem registrar o interior das cabines.
Estudantes descobriram câmera escondida em equipamento
Segundo os relatos, a descoberta ocorreu quando uma aluna resolveu verificar um dispositivo instalado na parede do banheiro que emitia uma luz vermelha.
Ao observar o equipamento, os estudantes identificaram uma câmera atrás da proteção plástica.
Outro aluno fotografou o sistema de monitoramento da escola e registrou imagens que, segundo os estudantes, mostravam cabines e espelhos do banheiro.
Conforme o boletim de ocorrência, as alunas já sabiam da existência do equipamento havia aproximadamente três anos.
Na época, a direção teria informado que se tratava de um sensor de fumaça destinado a impedir que estudantes fumassem no local.
Alunas relatam troca de roupas no banheiro
As estudantes também informaram à polícia que haviam utilizado a área comum do banheiro para trocar de roupa antes de uma sessão de fotografias.
No boletim de ocorrência, elas manifestaram preocupação com a possibilidade de exposição de seus corpos sem consentimento.
Alessa afirmou que a situação é ainda mais preocupante porque, segundo seu relato, o sistema de monitoramento era acompanhado por homens na sala dos monitores militares.
A estudante declarou que a descoberta provocou medo e sensação de violação de privacidade.
Colégio confirma equipamentos, mas nega imagens das cabines
Em comunicado enviado às famílias, o Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo confirmou a existência das câmeras.
A direção, entretanto, declarou que os aparelhos estavam voltados para as portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, com a finalidade de controlar o acesso e contribuir para a segurança escolar.
Segundo a instituição, os equipamentos não registravam os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes.
A escola também informou que um aluno teria acessado, sem autorização, a sala dos monitores militares e fotografado o sistema de vigilância.
A direção afirmou que as circunstâncias desse acesso serão apuradas.
O comunicado menciona ainda danos aos equipamentos, retirados à força durante a mobilização dos estudantes, e informa que poderão ser adotadas medidas administrativas.
Secretaria de Educação informa retirada das câmeras
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informou que os equipamentos foram retirados.
De acordo com o Núcleo Regional de Educação de Londrina, a escola comunicou que não existem imagens armazenadas relacionadas às câmeras.
O órgão também anunciou o envio de uma equipe ao colégio para verificar presencialmente a situação e orientar os próximos procedimentos.
A secretaria ressaltou que qualquer sistema de monitoramento escolar deve respeitar a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou a abertura de um inquérito para apurar os fatos.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da instalação dos equipamentos, o alcance das imagens e as informações apresentadas pelos estudantes e pela direção.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventual registro de imagens íntimas.
O caso gerou protestos entre os alunos e levantou questionamentos sobre os limites do monitoramento por câmeras em ambientes escolares, especialmente em espaços destinados à privacidade dos estudantes.





