Receita Federal registra alta real de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Crescimento da economia, mudanças na tributação e aumento das receitas ligadas ao petróleo estão entre os fatores associados ao resultado.
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e outras receitas alcançou R$ 239,4 bilhões em setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 5,6% em comparação com setembro do ano passado, quando o valor corrigido pela inflação foi de R$ 226,6 bilhões.
O montante é o maior já registrado para um mês de setembro desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995.
Entre os fatores associados ao recorde estão o crescimento da economia brasileira, as mudanças tributárias implementadas pelo governo nos últimos anos e o aumento das receitas relacionadas à exploração e à comercialização do petróleo.
Mudanças nos impostos contribuíram para a arrecadação
Durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo promoveu alterações em diferentes áreas da tributação. Entre as medidas que influenciaram a arrecadação estão:
- Aumento da tributação de fundos exclusivos, voltados a investidores de alta renda, e de empresas e ativos mantidos no exterior, conhecidos como offshores.
- Mudanças nas regras de tributação de incentivos fiscais concedidos pelos estados, incluindo subvenções.
- Aumento dos tributos sobre combustíveis em 2023, mantido desde então.
- Reoneração gradual da folha de pagamentos de determinados setores econômicos.
- Encerramento de benefícios fiscais destinados ao setor de eventos por meio do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).
- Aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito e câmbio.
- Elevação da tributação dos juros sobre capital próprio.
Essas alterações fazem parte do conjunto de medidas adotadas para ampliar as receitas públicas e contribuir para o equilíbrio das contas federais.
Petróleo amplia receitas do governo
A alta dos preços do petróleo também contribuiu para o resultado da arrecadação. O aumento das cotações internacionais, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, elevou as receitas vinculadas à exploração do produto.
Entre essas receitas estão os royalties e as participações governamentais na extração de petróleo. Além disso, o governo estabeleceu uma tributação adicional sobre as exportações do produto.
A combinação desses fatores ajudou a ampliar a entrada de recursos nos cofres federais.
Arrecadação acumula R$ 2,38 trilhões em 2026
Nos nove primeiros meses de 2026, a arrecadação federal somou R$ 2,35 trilhões em valores nominais, sem correção pela inflação.
Considerando a variação dos preços, o total alcançou R$ 2,38 trilhões entre janeiro e setembro. O resultado representa um crescimento real de 7% em relação ao mesmo período de 2025, quando a arrecadação corrigida foi de R$ 2,23 trilhões.
O montante também constitui recorde para os nove primeiros meses do ano na série histórica da Receita Federal.
Governo busca cumprir meta fiscal de 2026
O aumento das receitas é considerado importante para a estratégia do governo federal de cumprir a meta fiscal estabelecida para este ano.
A meta central prevê superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Com isso, o objetivo será considerado formalmente cumprido se o resultado primário ficar entre o limite inferior de zero e o limite superior correspondente a um superávit de aproximadamente R$ 68,6 bilhões.
O cálculo também permite excluir determinadas despesas, incluindo R$ 57,8 bilhões previstos para gastos como o pagamento de precatórios, conforme as regras aplicáveis à meta fiscal.
Contas públicas ainda podem registrar déficit
Apesar do crescimento da arrecadação, a projeção apresentada no levantamento indica que as contas públicas podem terminar 2026 com um déficit de aproximadamente R$ 23,3 bilhões, mesmo que o resultado utilizado oficialmente para avaliar o cumprimento da meta fiscal seja positivo.
A diferença ocorre porque o cálculo oficial permite a exclusão de determinadas despesas, enquanto o resultado mais amplo considera os gastos previstos nas contas públicas.
Caso a projeção se confirme, o governo federal encerrará mais um ano do terceiro mandato de Lula com resultado negativo nas contas públicas, apesar do aumento da arrecadação.





