Partido Democrata alcançou 54 cadeiras no Senado e 228 na Câmara dos Representantes, segundo resultados parciais divulgados nesta quarta-feira (4). Presidente americano sinaliza disposição para negociar, mas também admite possibilidade de vetos.
O Partido Democrata conquistou a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3 de novembro). O resultado representa uma mudança no equilíbrio político de Washington e retira dos republicanos o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
Até a madrugada desta quarta-feira (4), os democratas haviam garantido 54 das 100 cadeiras do Senado, ultrapassando as 51 necessárias para formar maioria. Na Câmara, o partido alcançou 228 assentos, superando o mínimo de 218.
A mudança deverá ampliar a influência da oposição sobre a agenda legislativa do presidente Donald Trump durante os próximos dois anos.
Confira os resultados das eleições americanas
De acordo com a apuração parcial apresentada, a distribuição das cadeiras estava da seguinte forma:
Senado dos Estados Unidos
- Democratas: 54 cadeiras
- Republicanos: 44 cadeiras
- Aguardando resultado: 2 cadeiras
Câmara dos Representantes
- Democratas: 228 cadeiras
- Republicanos: 139 cadeiras
- Aguardando resultado: 68 cadeiras
Na disputa pela Câmara, os democratas conquistaram 25 distritos anteriormente controlados pelos republicanos, distribuídos por mais de dez estados.
No Senado, a legenda elegeu 20 candidatos nas disputas realizadas, incluindo sete vitórias em cadeiras antes ocupadas pelo partido adversário.
Trump afirma que aceitará resultado das urnas
Após a definição das maiorias, Donald Trump declarou estar disposto a trabalhar com os democratas.
Em entrevista ao jornal americano The New York Times, o presidente afirmou que reconheceria os resultados e buscaria entendimentos com integrantes da oposição.
A manifestação ocorreu depois de declarações anteriores nas quais o republicano havia condicionado o reconhecimento da eleição à avaliação de que o processo fosse legítimo.
Apesar do discurso de negociação, Trump também indicou que poderá utilizar o poder de veto presidencial para barrar propostas aprovadas pelo Congresso.
O presidente chegou a publicar a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto” e, anteriormente, afirmou que poderia recorrer frequentemente a esse instrumento para pressionar os parlamentares a negociar.
Democratas vencem disputas importantes em estados republicanos
Entre os resultados de maior destaque está a vitória de James Talarico sobre Ken Paxton no Texas, estado tradicionalmente favorável ao Partido Republicano.
Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou Darline Graham, candidata apoiada por Trump.
Outra mudança ocorreu em Ohio, onde o democrata Sherrod Brown venceu o senador republicano Jon Husted.
Na Carolina do Norte, os democratas também conquistaram uma cadeira anteriormente ocupada pelos adversários.
O partido ainda conseguiu preservar assentos considerados competitivos em outros estados.
Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu John Sununu e assumirá a vaga deixada pela senadora Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar.
Também foram reeleitos Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado.
Em Illinois, Juliana Stratton conquistou a cadeira que era ocupada pelo democrata Dick Durbin.
O que muda para o governo americano?
Com a oposição controlando as duas casas legislativas, a administração Trump deverá enfrentar maiores dificuldades para aprovar projetos que dependam do Congresso.
Os democratas passam a ter capacidade ampliada de influenciar a tramitação de propostas, fiscalizar ações do governo e conduzir debates legislativos.
Por outro lado, o presidente mantém a prerrogativa de vetar projetos aprovados pelos parlamentares, embora o Congresso possa derrubar um veto mediante maioria qualificada.
O novo cenário aumenta a importância das negociações entre a Casa Branca e as lideranças democratas.
Como funcionam as eleições de meio de mandato?
Conhecidas como midterms, as eleições legislativas americanas acontecem a cada dois anos. Quando realizadas na metade do mandato presidencial, recebem a denominação de eleições de meio de mandato.
Todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes são escolhidos para mandatos de dois anos.
No Senado, os mandatos duram seis anos, com renovação de aproximadamente um terço das cadeiras a cada eleição.
Em 2026, foram disputadas 35 vagas de senador, além de todos os assentos da Câmara.





