Operação Dirty Dancing investiga organização criminosa internacional que recrutava mulheres pelas redes sociais. Justiça determinou bloqueio de até R$ 10 milhões em bens dos investigados.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (5 de novembro), a Operação Dirty Dancing, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de recrutar mulheres brasileiras para exploração sexual no exterior, principalmente em Israel.
Durante a operação, uma mulher apontada como líder do esquema foi presa preventivamente em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no Pará.
Os policiais também cumpriram dois mandados de busca e apreensão em Goiânia, capital de Goiás.
Segundo as investigações, a organização atuava no recrutamento de brasileiras, no planejamento de viagens internacionais e na exploração sexual das vítimas em diferentes países.
Mulheres eram recrutadas pelas redes sociais
De acordo com a Polícia Federal, a suspeita apontada como responsável pela organização utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para entrar em contato com mulheres interessadas em viajar para o exterior.
Após o recrutamento, o grupo organizava o deslocamento internacional e providenciava hospedagem para as vítimas.
A investigação também identificou operadores que atuavam no Brasil, responsáveis pela divulgação de anúncios em sites especializados e pelo agendamento de clientes.
A estrutura investigada permitia que parte das atividades fosse coordenada em território brasileiro, enquanto a exploração sexual ocorria no exterior.
Investigação começou após informações da polícia israelense
A apuração teve início em fevereiro de 2025, depois que a Polícia Federal recebeu informações compartilhadas pelas autoridades de Israel.
O trabalho representa um desdobramento de uma investigação conduzida pela polícia israelense contra o mesmo grupo criminoso.
A cooperação internacional permitiu avançar na identificação dos suspeitos e na apuração das atividades da organização.
Embora Israel apareça como principal destino das brasileiras recrutadas, a PF também investiga a atuação do grupo em outros países.
Justiça determina bloqueio de R$ 10 milhões
Além das prisões e buscas, a Justiça Federal autorizou medidas para atingir o patrimônio e restringir as atividades dos investigados.
Entre as determinações estão:
- Sequestro e bloqueio de bens até o limite de R$ 10 milhões;
- Suspensão das atividades de duas empresas vinculadas à mulher presa;
- Apreensão de passaportes;
- Monitoração eletrônica de dois suspeitos;
- Proibição de saída do Brasil para esses dois investigados.
As medidas buscam impedir a continuidade das atividades suspeitas e preservar recursos relacionados à investigação.
Dinheiro obtido no exterior era enviado ao Brasil
A Polícia Federal também identificou indícios de um esquema financeiro utilizado para movimentar os valores obtidos com as atividades investigadas.
Conforme a apuração, o dinheiro arrecadado no exterior era recebido em espécie e posteriormente enviado ao Brasil.
As remessas seriam realizadas com a participação de brasileiros residentes em outros países, que atuariam em um sistema clandestino de câmbio.
A investigação procura esclarecer a participação de cada envolvido e o funcionamento das operações financeiras.
Investigados poderão responder por seis crimes
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos poderão responder por diferentes crimes, conforme a participação individual identificada durante a investigação.
Entre os delitos investigados estão:
- Organização criminosa;
- Tráfico de pessoas;
- Favorecimento da prostituição;
- Rufianismo;
- Promoção de migração irregular;
- Operação ilegal de câmbio.
A operação segue em investigação para identificar outros possíveis participantes, esclarecer a movimentação financeira e dimensionar a atuação internacional da organização.





