URGENTE: Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e pressão por impeachment
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URGENTE: Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e pressão por impeachment

05/11/2026 | 13:32 Por Redacao

Presidente anunciou saída do cargo nesta quinta-feira (5), após perder o apoio de aliados e enfrentar acusações relacionadas ao fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso ao dinheiro.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5 de novembro), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo fechamento do banco digital Ueno.

A decisão foi anunciada após o Congresso paraguaio iniciar a discussão de um pedido de impeachment que recebeu apoio tanto da oposição quanto de parlamentares da base governista.

Em um vídeo divulgado para comunicar sua saída, Peña pediu desculpas e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país.

“Hoje, devemos mostrar, mais uma vez, que respeitamos a democracia”, declarou.

A renúncia ocorre após o presidente perder o apoio de importantes lideranças políticas, incluindo integrantes de seu próprio partido.

Peña perde apoio do Partido Colorado e enfrenta pressão no Congresso

A situação política de Santiago Peña se agravou na manhã desta quinta-feira, quando aliados anunciaram a retirada de apoio ao governo.

Entre as lideranças que romperam com o presidente estão o presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais figuras do Partido Colorado.

O rompimento deixou Peña politicamente isolado e fortaleceu o movimento que defendia seu afastamento.

Todas as bancadas da Câmara dos Deputados haviam anunciado posicionamento favorável à abertura do impeachment.

O Congresso também iniciou uma sessão extraordinária para discutir a acusação apresentada por 35 deputados.

Para dar início aos trâmites do processo, seria necessária a aprovação de dois terços dos parlamentares presentes na sessão.

Diante do avanço da pressão política, Peña optou pela renúncia.

Fechamento do banco Ueno provocou crise no Paraguai

A crise teve início após o banco digital Ueno encerrar suas atividades na terça-feira (3), deixando milhares de clientes sem acesso aos recursos depositados.

A instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo valores vinculados ao Instituto de Previdência Social.

O Banco Central do Paraguai iniciou a liquidação do Ueno após identificar insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações financeiras.

Segundo as informações divulgadas, a situação estava relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.

O fechamento provocou preocupação entre os correntistas e manifestações na capital, Assunção.

Ex-presidente é acusado de conflito de interesses

Uma das principais acusações apresentadas pela oposição envolve a antiga ligação empresarial de Santiago Peña com o grupo responsável pelo Ueno.

O agora ex-presidente foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025.

Parlamentares oposicionistas apontam suspeitas de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.

Também existem acusações de que o Banco Central paraguaio teria encoberto irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Durante a sessão no Congresso, a deputada Rocío Vallejo criticou duramente Peña e o responsabilizou politicamente pelos prejuízos enfrentados pela população.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente”, afirmou.

As acusações ainda dependem de apuração e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do ex-presidente.

Justiça acusa 27 pessoas ligadas ao banco

As investigações sobre a crise financeira também resultaram em medidas judiciais contra integrantes da instituição.

Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria.

Ao todo, 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados.

As autoridades buscam esclarecer as operações financeiras que contribuíram para a situação de insolvência da instituição.

Peña havia prometido devolver dinheiro aos clientes

Antes de anunciar sua renúncia, Santiago Peña havia se manifestado sobre a crise bancária.

Em publicação nas redes sociais, afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deveriam responder à Justiça, sem exceções.

O então presidente também promulgou uma lei destinada a permitir que os clientes do Ueno recuperassem seus recursos com maior rapidez.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.

Apesar das medidas anunciadas, a pressão política aumentou e culminou na saída do presidente.

Crise bancária preocupa população e instituições financeiras

O fechamento do Ueno também provocou reflexos em outras instituições financeiras do Paraguai.

Na quarta-feira (4), circularam relatos de instabilidade em aplicativos bancários, aumentando a preocupação dos clientes com a segurança do sistema financeiro.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao aumento da procura por transferências de contas.

A entidade afirmou que o sistema bancário permanecia operando normalmente.

Santiago Peña estava no poder desde 2023

Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em 2023.

Economista e integrante do Partido Colorado, ele também exerceu o cargo de ministro da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes.

Sua saída representa uma mudança significativa no cenário político paraguaio, após a perda de sustentação no Congresso e o agravamento da crise bancária.

Até a atualização das informações, não haviam sido apresentados detalhes sobre os próximos procedimentos de transferência do comando do Executivo.