Aeronave transportava seis pessoas quando perdeu potência logo após decolar em Minas Gerais. Relatório do Cenipa identificou resíduos de alumínio que bloquearam a bomba de combustível.
Um avião praticamente novo, com apenas 43 horas e 36 minutos de voo, precisou acionar seu paraquedas de emergência após sofrer uma falha no motor durante a decolagem do Aeroporto da Pampulha, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).
O incidente aconteceu em 11 de março de 2023, mas a causa foi esclarecida no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado na quinta-feira (22 de outubro de 2026).
A aeronave, um Cirrus SR22, transportava um piloto e cinco passageiros. Apesar da gravidade da situação, ninguém ficou ferido.
Resíduos de alumínio provocaram falha no motor
A investigação identificou detritos de alumínio dentro da bomba mecânica de combustível.
O material ficou preso entre o eixo e a bucha de revestimento da peça, provocando o travamento do mecanismo e a ruptura do acoplamento.
Com isso, o fornecimento de combustível ao motor foi interrompido repentinamente, causando a perda de potência durante a subida.
Os investigadores constataram que o alumínio encontrado não fazia parte dos componentes originais da bomba.
Como a aeronave era praticamente nova, a bomba não havia passado por manutenção e o filtro de combustível estava limpo, foi considerada a hipótese de que os resíduos estivessem presentes desde a fabricação ou montagem. A origem exata do material não foi determinada.
Piloto acionou paraquedas e evitou tragédia
A falha ocorreu pouco depois da decolagem, quando o avião ainda ganhava altitude.
Sem condições de retornar à pista ou recuperar o funcionamento do motor, o piloto seguiu os procedimentos previstos pelo fabricante e acionou o sistema de paraquedas de emergência da aeronave.
O equipamento permitiu que o avião descesse sobre uma área de vegetação em Sabará, Minas Gerais.
Os seis ocupantes conseguiram sair sem ferimentos.
Bomba auxiliar não poderia evitar a pane
O relatório também esclareceu que a bomba elétrica auxiliar não tinha capacidade para substituir a bomba mecânica durante o voo.
Sua função era preparar o sistema para a partida do motor e evitar a formação de bolhas de vapor na tubulação.
Por isso, o equipamento não conseguiu impedir a interrupção do combustível.
O Cenipa verificou ainda uma manutenção realizada três horas antes do voo, relacionada à instalação de contrapesos no virabrequim, mas descartou qualquer ligação entre o serviço e a falha.
As condições meteorológicas eram favoráveis, e o avião estava dentro dos limites de peso e balanceamento.
Cenipa recomenda reforço na fiscalização da fabricação
Após concluir a investigação, o Cenipa recomendou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atue junto à fabricante do motor, a Continental, para reforçar os controles de qualidade na produção das bombas de combustível.
A fabricante informou que esse foi o primeiro caso registrado de ruptura do eixo nesse modelo de bomba. Outros motores equipados com componentes do mesmo lote foram inspecionados e não apresentaram problemas.
Depois da substituição da peça defeituosa, o motor passou por testes e voltou a funcionar normalmente, com estabilidade em todas as rotações.





