Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028
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Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028

05/02/2026 | 09:30 Por Gabriel Vinicius Cabral

O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano no período entre 2026 e 2028. Desse total, estima-se que os tumores de pele não melanoma representem 263 mil casos anuais. A previsão foi divulgada na Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgada nesta quarta-feira, 4, Dia Mundial do Câncer.

Os dados confirmam que o câncer segue se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno, diz o Inca.

“O câncer está prestes a se tornar a principal causa de morte no País e vai superar, daqui alguns anos, as doenças cardiovasculares”, afirma Ariel Kann, head do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Porém, na visão dele, esse não é o ponto mais preocupante. “Porque isso reflete o envelhecimento da população, e ter uma população mais envelhecida também é um sinal de desenvolvimento. Antes, tinha pouco câncer porque as pessoas viviam menos também”, explica.

“Mas preocupa a desigualdade que tem no nosso País. Ao passo que no Sul e no Sudeste há aumento (nos índices) de câncer colorretal e pulmão, muito ligados ao nosso estilo de vida e ao tabagismo, no Norte e Nordeste existe um protagonismo de cânceres relacionados à baixa renda e a problemas de saneamento, como o de colo de útero e de estômago”, descreve.

O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos – apesar da alta incidência, sua letalidade é baixa. “É muito raro um câncer de pele não melanoma dar metástase ou levar ao óbito. Então, é uma doença com comportamento diferente, que não leva a uma alta letalidade. Portanto, a gente acaba excluindo ela das estatísticas”, comenta o oncologista Fernando de Moura, médico da Beneficência Portuguesa de São Paulo e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, entidade que assina coluna no Estadão.

Para além do câncer de pele não melanoma, os cinco tipos de tumores mais incidentes entre os homens são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente. Já entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo de útero, pulmão e tireoide.

A publicação destaca ainda os tumores com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o de colo de útero e o colorretal, que seguem entre os mais prevalentes no País.

“Embora, no geral, todos os tumores tiveram aumentos em torno de 10%, o câncer colorretal teve um aumento da ordem de 30%. Isso corresponde com o que vemos no consultório: os tumores coloretais estão mais frequentes, principalmente em populações mais jovens”, pontua Moura.