Brasil volta a dever mais ao exterior do que tem em reservas após 19 anos
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Brasil volta a dever mais ao exterior do que tem em reservas após 19 anos

22/10/2026 | 16:51 Por Redação MZ

O Brasil perdeu uma condição mantida por quase duas décadas: a de credor externo líquido. Dados do Banco Central referentes ao segundo trimestre de 2026 mostram que a dívida externa líquida ficou positiva em US$ 5,1 bilhões, indicando que as obrigações externas passaram a superar as reservas internacionais e outros ativos considerados no cálculo.

Em junho, a dívida externa bruta brasileira somava US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas internacionais estavam em US$ 402 bilhões. A diferença entre os valores marcou o encerramento de uma sequência iniciada em 2007, período em que o país mantinha ativos externos superiores às obrigações contabilizadas nessa medida.

O dado merece atenção, mas precisa ser interpretado corretamente. A mudança não significa que o Brasil esteja prestes a ficar sem dólares ou incapaz de pagar seus compromissos. As reservas internacionais continuam funcionando como uma proteção diante de choques externos, oscilações cambiais e possíveis interrupções no fluxo de recursos.

A alteração, no entanto, reduz a margem que o país mantinha nessa comparação. A trajetória das contas externas depende de fatores como investimentos, comércio exterior, fluxos financeiros e evolução das dívidas e dos ativos internacionais.

Para a população, o indicador não se traduz automaticamente em uma mudança imediata nos preços ou no câmbio. Ele é um sinal macroeconômico que precisa ser acompanhado junto de outros dados, especialmente em um momento de incerteza política e de atenção dos mercados à situação fiscal brasileira.