Interlocutores do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmam que ele pretende responder a todos os questionamentos das autoridades no âmbito das investigações em curso.
Segundo pessoas próximas, não procede a informação de que o empresário estaria negociando uma “delação seletiva”. Ainda que houvesse interesse pessoal nesse tipo de acordo, aliados apontam que Vorcaro tem ciência de que sua situação jurídica se agravou, o que exigiria uma colaboração mais ampla.
A possibilidade de uma delação com restrições dependeria exclusivamente das autoridades responsáveis pelo caso, cenário que, até o momento, não está em consideração.
STF mantém prisão e investigações seguem sob rigor
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, que tem sinalizado a necessidade de completo esclarecimento dos fatos.
A atuação conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República também é apontada como fator que dificulta qualquer tipo de acordo informal.
Dentro do STF, Mendonça passou a ser alvo de críticas por parte de setores que buscariam influenciar o andamento das investigações, com associações à atuação da Operação Lava Jato, o que não encontra respaldo concreto, segundo interlocutores.
Defesa intensifica atuação após decisão
As tratativas para uma possível colaboração avançaram após a Segunda Turma do STF decidir, por maioria, na última semana, pela manutenção da prisão de Vorcaro.
O último voto foi do ministro Gilmar Mendes, que acompanhou os demais colegas, mas fez ressalvas quanto aos fundamentos utilizados para justificar a prisão preventiva. “Guardo reservas em relação ao uso de conceitos elásticos e juízos morais […] como atalhos argumentativos”, afirmou.
Após a decisão, o banqueiro promoveu mudanças em sua defesa. O advogado Sérgio Leonardo segue atuando no caso, enquanto José Luís de Oliveira Lima passou a integrar a equipe, sendo conhecido por sua atuação em acordos de delação premiada. O defensor já procurou a Polícia Federal para sinalizar o interesse em eventual colaboração.
Transferência e condições de custódia
Vorcaro foi transferido na última quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, também na capital federal.
A mudança ocorreu após pedido da defesa, que alegou dificuldades de comunicação na unidade de segurança máxima. O ministro André Mendonça autorizou a transferência, mas negou a prisão domiciliar.
Na nova unidade, o banqueiro permanece em uma cela considerada de passagem, com estrutura básica. A transferência facilita o contato com advogados — que o visitaram tanto no sábado (21) quanto no domingo (22).
Por conta da presença do investigado, a segurança no local foi reforçada, incluindo restrições ao espaço aéreo e proibição de drones.
Investigações e possíveis desdobramentos
Vorcaro é investigado por suspeitas de crimes financeiros, além de possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos e pela suposta criação de uma estrutura para monitoramento de autoridades e perseguição a jornalistas.
Uma eventual delação premiada pode trazer novos elementos às investigações.
Historicamente, em casos como o da Operação Lava Jato, transferências de custodiados que negociavam colaboração foram interpretadas como sinalizações institucionais, embora esse cenário ainda não esteja confirmado no caso atual.





