Operação Capolinea mobiliza cerca de 100 policiais em quatro estados, investiga transporte de entorpecentes em caminhões de minério e determina bloqueio de R$ 24 milhões em bens.
Uma operação contra o tráfico internacional de drogas, deflagrada nesta quinta-feira (15), tem entre os principais alvos Gerson Palermo, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele havia sido capturado na Bolívia em maio de 2026, após permanecer aproximadamente seis anos foragido, e teve um novo mandado de prisão cumprido.
A Operação Capolinea, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), investiga uma organização criminosa suspeita de transportar drogas da Bolívia para o Brasil e distribuí-las em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Segundo os investigadores, o grupo teria negociado aproximadamente 24 toneladas de entorpecentes durante o período analisado.
Operação cumpre 41 mandados e bloqueia R$ 24 milhões
Cerca de 100 policiais participam da ação, que prevê o cumprimento de:
- 14 mandados de prisão preventiva;
- 7 mandados de prisão temporária;
- 20 mandados de busca e apreensão.
As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Corumbá e são cumpridas em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de R$ 24 milhões em bens dos investigados.
Entre os envolvidos está Aguinaldo Chaleira, identificado como traficante e entregue às autoridades brasileiras em Corumbá após permanecer na Bolívia.
Outro preso é apontado como responsável pelo sequestro de uma sobrinha de Palermo. A informação sobre as prisões foi confirmada pela força-tarefa, mas não foram divulgadas as datas em que todas ocorreram.
Vigilante da Polícia Federal é investigado por vazamento de informações
Um dos presos trabalhava como vigilante na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá.
De acordo com a investigação, ele seria enteado de uma das lideranças da organização e teria utilizado seu acesso à unidade policial para transmitir informações aos traficantes.
Entre os dados repassados estariam a rotina da delegacia, a movimentação de equipes policiais, a situação de presos e fotografias de documentos e apreensões.
A FICCO/MS também aponta que o vigilante armazenava drogas em sua residência e participava do transporte de entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil.
Ele ainda é investigado por possível participação no transporte de uma carga apreendida em Três Lagoas, em agosto de 2025, quando foram encontrados 35 quilos de cocaína e 12,5 quilos de maconha escondidos em um pneu.
Drogas eram transportadas em caminhões carregados de minério de ferro
Segundo a força-tarefa, a organização aproveitava o fluxo de caminhões utilizados no transporte de minério de ferro na região de Corumbá para esconder cargas de drogas.
Os investigadores identificaram indícios de aliciamento de funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança.
Esses trabalhadores receberiam pagamentos por Pix para facilitar o carregamento dos veículos sem fiscalização.
Além do minério, os suspeitos utilizariam pneus, tanques de combustível e cargas de grãos para ocultar os entorpecentes.
A investigação teve início após a análise de um celular apreendido com um dos principais operadores do esquema, que estava escondido na Bolívia. As informações encontradas permitiram identificar outros integrantes e avançar na apuração sobre o comando da organização.
Quem é Gerson Palermo, apontado como liderança do PCC?
Gerson Palermo é conhecido das autoridades por investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e por sua participação no sequestro de um avião da antiga Vasp, em 2000.
Ele também foi investigado na Operação All In, realizada pela Polícia Federal em 2017, que apurou o transporte de cocaína da Bolívia para o Brasil.
Em 2020, Palermo deixou a Penitenciária Federal de Campo Grande após obter prisão domiciliar por decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Após a soltura, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para a Bolívia, onde permaneceu por cerca de seis anos.
A decisão judicial foi investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a aposentadoria compulsória do desembargador.
Palermo acabou localizado e preso em território boliviano em maio de 2026. Embora já estivesse sob custódia, foi novamente alvo de mandado de prisão nesta quinta-feira.
Investigados no exterior poderão ser procurados pela Interpol
A Justiça Federal autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional utilizado para localizar pessoas procuradas.
Os envolvidos poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa, conforme a participação individual identificada nas investigações.
O nome da operação, Capolinea, significa “fim da linha” em italiano e faz referência à tentativa de interromper o esquema de transporte de drogas escondidas em cargas de minério de ferro.
Até a atualização das informações, a defesa de Gerson Palermo não havia se manifestado, e as defesas dos outros dois investigados citados não haviam sido localizadas.





