Comissão aprova R$ 22,6 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA
Política

Comissão aprova R$ 22,6 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

05/11/2026 | 15:06 Por Redacao

Medida provisória prevê empréstimos com juros subsidiados para exportadores e setores estratégicos da economia brasileira. Proposta ainda precisa ser votada pela Câmara e pelo Senado.

Uma comissão especial do Congresso Nacional aprovou, nesta quinta-feira (5 de novembro), a Medida Provisória (MP) nº 1.379/2026, que prevê a disponibilização de R$ 22,6 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas brasileiras afetadas por barreiras comerciais internacionais.

A iniciativa faz parte do Plano Brasil Soberano 3, criado para apoiar setores prejudicados pela sobretaxação imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e por instabilidades no comércio internacional.

Com a aprovação na comissão, a proposta segue para análise do plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, do Senado Federal.

O Congresso terá prazo até 18 de novembro de 2026 para concluir a votação. Caso não seja convertida em lei dentro do período previsto, a medida provisória perderá a validade.

Governo e BNDES vão financiar R$ 22,6 bilhões

A proposta permite combinar recursos do Tesouro Nacional com valores próprios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O financiamento será dividido da seguinte forma:

Origem dos recursos Valor
Tesouro Nacional R$ 13,5 bilhões
BNDES R$ 9,1 bilhões
Total R$ 22,6 bilhões

Inicialmente, o BNDES havia previsto uma participação de R$ 5 bilhões no programa.

Entretanto, em setembro, a instituição ampliou sua contribuição para R$ 9,1 bilhões.

Com o reforço, o orçamento total do Plano Brasil Soberano 3 passou dos R$ 18,5 bilhões inicialmente estimados para R$ 22,6 bilhões.

Empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA terão R$ 8,8 bilhões

Uma das principais finalidades do programa é oferecer condições de financiamento para empresas brasileiras prejudicadas pelas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos.

Do total previsto, R$ 8,8 bilhões serão destinados a exportadores e fornecedores afetados diretamente pela sobretaxação norte-americana.

O objetivo é ajudar essas empresas a enfrentar os impactos financeiros das restrições comerciais e preservar suas atividades.

O plano contempla exportadores de diferentes segmentos da economia, incluindo produtos industriais, agropecuários, florestais, pesqueiros, aquícolas e minerais.

Os fornecedores dessas empresas também poderão ser beneficiados, conforme as regras do programa.

Conflito no Oriente Médio também motiva linha de crédito

Além das empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos, o Plano Brasil Soberano 3 prevê apoio a exportadores que mantêm relações comerciais com países do Golfo Pérsico.

Para esse grupo, serão reservados R$ 6,8 bilhões.

Os recursos são destinados a empresas exportadoras e seus fornecedores que enfrentam dificuldades relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

A medida busca reduzir os efeitos das instabilidades geopolíticas sobre as operações comerciais brasileiras.

Fertilizantes e minerais estratégicos receberão R$ 7 bilhões

Outra parte do financiamento será direcionada a setores considerados estratégicos para a economia nacional e para o comércio exterior.

Os R$ 7 bilhões restantes serão distribuídos entre três áreas:

Setor beneficiado Recursos previstos
Setores industriais relevantes para o comércio exterior R$ 1 bilhão
Fabricação de adubos, fertilizantes e produtos intermediários R$ 4 bilhões
Cadeia industrial e tecnológica de minerais críticos e estratégicos R$ 2 bilhões
Total R$ 7 bilhões

A maior parcela desse grupo será destinada à indústria de fertilizantes, com previsão de R$ 4 bilhões.

Já as empresas ligadas à produção e ao desenvolvimento tecnológico de minerais críticos e estratégicos terão acesso a uma linha de R$ 2 bilhões.

Como o Plano Brasil Soberano pretende ajudar as empresas?

O programa foi estruturado para oferecer crédito em condições subsidiadas a empresas que enfrentam dificuldades decorrentes de mudanças no cenário comercial internacional.

A proposta busca apoiar tanto exportadores diretamente atingidos por tarifas quanto fornecedores que integram suas cadeias produtivas.

Também contempla atividades consideradas relevantes para a competitividade brasileira, como a fabricação de fertilizantes e o desenvolvimento de tecnologias relacionadas a minerais estratégicos.

A ampliação dos recursos do BNDES aumenta a capacidade financeira prevista para o programa, mas a efetiva concessão dos empréstimos dependerá das condições aplicáveis às linhas de crédito.

Medida ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado

Apesar da aprovação pela comissão especial, a MP nº 1.379/2026 ainda não concluiu sua tramitação no Congresso Nacional.

O texto deverá ser analisado pelo plenário da Câmara dos Deputados e, na sequência, pelos senadores.

O prazo é considerado importante porque a medida provisória perde validade em 18 de novembro, caso não seja convertida em lei.

A aprovação definitiva permitirá consolidar as regras do Plano Brasil Soberano 3 e a utilização dos recursos previstos para apoiar os setores afetados pelas barreiras comerciais e pelos conflitos internacionais.