DÍVIDA PÚBLICA CHEGA A 82,9% DO PIB E EXPÕE DISPUTA SOBRE GASTOS NO GOVERNO LULA
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DÍVIDA PÚBLICA CHEGA A 82,9% DO PIB E EXPÕE DISPUTA SOBRE GASTOS NO GOVERNO LULA

30/10/2026 | 19:27 Por Redação MZ

O crescimento da dívida pública brasileira e a resistência de integrantes do governo a medidas mais rigorosas de controle de gastos colocaram o debate fiscal no centro das discussões políticas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reportagem publicada pela Reuters nesta sexta-feira (30) aponta divergências dentro do próprio governo e do Partido dos Trabalhadores sobre a possibilidade de um ajuste fiscal mais amplo. Enquanto integrantes da equipe econômica defendem medidas para conter o avanço do endividamento, aliados de Lula afirmam que eventuais cortes não devem atingir a população mais pobre.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que o tema do ajuste fiscal não está em discussão dentro de sua articulação política. Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu que o controle das contas públicas se concentre na redução de emendas parlamentares e benefícios tributários.

A discussão ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a dívida bruta do governo geral alcançou R$ 11,1 trilhões em setembro, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador avançou 4,3 pontos percentuais desde o início de 2026 e está no maior patamar desde 2021.

Outro dado que chama atenção é o custo dos juros: as despesas com juros nominais do setor público chegaram a R$ 107,5 bilhões somente em setembro. No acumulado de 12 meses, atingiram R$ 1,205 trilhão, o equivalente a 8,99% do PIB.

A Reuters também destacou que a indefinição sobre quem comandará o Ministério da Fazenda no próximo mandato aumenta a expectativa de investidores sobre os rumos da política econômica. Entre os nomes mencionados nas articulações estão o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles.

Uma das possibilidades em discussão é o endurecimento de parâmetros do arcabouço fiscal, mas qualquer mudança dependerá de decisão do presidente. Por enquanto, a equipe econômica sinalizou uma meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2027.

O debate coloca em evidência um dos principais desafios do próximo governo: equilibrar as despesas públicas, controlar o crescimento da dívida e definir como o ajuste será distribuído entre orçamento, benefícios tributários e gastos sociais.

A dimensão das decisões pode afetar o custo do crédito, os investimentos e a capacidade do governo de financiar políticas públicas nos próximos anos.