Lideranças do bloco apontam erros na estratégia do candidato do PL, estudam retomar espaços no governo federal e consideram Tarcísio de Freitas como alternativa para 2030.
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 provocou movimentações entre partidos do Centrão, que agora avaliam uma possível reaproximação com o governo federal.
Após a confirmação da reeleição de Lula, no domingo (25), integrantes do bloco passaram a discutir os fatores que contribuíram para o resultado e os caminhos para reorganizar suas alianças políticas.
Em conversas reservadas, lideranças atribuíram parte da derrota de Flávio à condução da campanha, citando “soberba”, “arrogância” e uma postura considerada agressiva em relação à população mais pobre.
As avaliações foram relatadas por dirigentes do grupo, sem identificação individual dos responsáveis pelas críticas.
Partidos avaliam voltar a ocupar espaços no governo Lula
Embora tenham apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno, partidos do Centrão consideram a possibilidade de restabelecer relações políticas com o presidente reeleito.
A intenção seria recuperar espaços na administração federal e ampliar a participação nas articulações do governo.
Para facilitar uma eventual aproximação, integrantes do bloco avaliam recorrer a políticos que mantiveram canais de diálogo com Lula.
Entre os nomes mencionados estão:
- André Fufuca (PP), ex-ministro;
- Silvio Costa Filho (Republicanos);
- Setores do MDB, especialmente lideranças com influência nas regiões Norte e Nordeste.
Até o momento, as movimentações são tratadas como possibilidades de articulação política, sem confirmação de novos acordos.
Tarcísio de Freitas surge como alternativa para 2030
A eventual aproximação com Lula não significa que os partidos do Centrão pretendam apoiar o PT na próxima eleição presidencial.
Integrantes do bloco também analisam a possibilidade de construir uma candidatura em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a disputa de 2030.
Na avaliação dessas lideranças, os próximos quatro anos poderão ser utilizados para reorganizar alianças e fortalecer um projeto eleitoral alternativo ao Partido dos Trabalhadores.
Tarcísio já era defendido por setores do Centrão como candidato à Presidência em 2026.
Entretanto, essa possibilidade perdeu espaço depois que Jair Bolsonaro decidiu apoiar a candidatura de seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro.
Centrão não pretende acompanhar contestação eleitoral de Flávio
Outro ponto de divergência envolve a reação de Flávio Bolsonaro ao resultado do segundo turno.
Após a derrota, o senador anunciou a intenção de recorrer à Justiça para contestar a eleição, questionando a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a ampliação do horário de votação até as 19h.
A medida acrescentou duas horas ao período inicialmente previsto para o encerramento da votação.
Segundo as informações divulgadas, a decisão atendeu a um pedido do PT.
Apesar do apoio dado a Flávio durante a campanha, partidos do Centrão indicaram que não pretendem aderir à contestação do resultado eleitoral.
Em conversas reservadas, lideranças avaliaram que a iniciativa do senador foi equivocada e defenderam que ele reconhecesse a decisão das urnas.
Lula venceu com mais de 64 milhões de votos
Na apuração mencionada, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu aproximadamente 64,2 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve cerca de 59,8 milhões.
A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos em favor do presidente reeleito.
O resultado abriu uma nova etapa de negociações políticas, com partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro avaliando sua posição diante do próximo mandato de Lula e das perspectivas para as eleições de 2030.





