Estudo sugere que evolução do cérebro humano pode ter aumentado vulnerabilidade ao autismo
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Estudo sugere que evolução do cérebro humano pode ter aumentado vulnerabilidade ao autismo

25/08/2026 | 14:20 Por Redacao

Pesquisa de cientistas da Universidade de Stanford aponta que mudanças aceleradas em determinados neurônios podem ter contribuído para tornar o cérebro humano mais complexo, mas também mais suscetível ao autismo

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, propõe uma nova hipótese sobre a relação entre a evolução do cérebro humano e o autismo. Segundo a pesquisa, algumas mudanças que ajudaram a desenvolver capacidades cognitivas características dos seres humanos também podem ter aumentado a vulnerabilidade a condições neuropsiquiátricas.

Os cientistas analisaram um tipo específico de neurônio, conhecido como L2/3 IT, localizado nas camadas mais externas do córtex cerebral. Essa região está relacionada a funções complexas, como linguagem, memória, raciocínio, resolução de problemas e pensamento abstrato.

A pesquisa comparou dados de diferentes espécies de mamíferos e analisou a atividade genética de mais de 1 milhão de neurônios. Os resultados indicaram que, embora os neurônios mais numerosos normalmente apresentem maior conservação genética ao longo da evolução, os L2/3 IT tiveram uma evolução particularmente acelerada na linhagem humana.

Mudanças podem ter aumentado a vulnerabilidade

Os pesquisadores Alexander Starr e Hunter Fraser observaram que a evolução desses neurônios ocorreu acompanhada de alterações coordenadas em genes relacionados ao autismo.

Entre os resultados, houve uma redução significativa na expressão de 34 genes associados ao autismo. A hipótese levantada é que algumas dessas mudanças tenham contribuído para vantagens relacionadas ao desenvolvimento do cérebro humano, mas, ao mesmo tempo, reduzido uma espécie de margem de segurança biológica.

Isso significa que alterações genéticas que poderiam não provocar efeitos importantes em outras espécies podem ter consequências diferentes no cérebro humano.

O que o estudo descobriu

A equipe utilizou técnicas de análise de expressão gênica em células individuais para comparar neurônios de diferentes espécies e regiões do neocórtex.

Os pesquisadores identificaram que os neurônios L2/3 IT, apesar de serem abundantes e importantes para o funcionamento cerebral, apresentaram uma evolução mais rápida nos seres humanos do que em outros primatas, como chimpanzés e gorilas.

O estudo sugere, portanto, que determinadas características que tornaram o cérebro humano mais sofisticado podem ter vindo acompanhadas de um aumento da vulnerabilidade a alterações neurológicas.

Nova perspectiva sobre o autismo

Os autores ressaltam que a pesquisa não significa que a evolução seja a causa direta do autismo, nem que exista uma única explicação para o transtorno. O autismo é uma condição complexa, influenciada por diversos fatores genéticos e biológicos.

A proposta é compreender melhor por que determinadas alterações cerebrais são mais comuns ou têm efeitos diferentes nos seres humanos.

A pesquisa também apresenta uma perspectiva de “troca evolutiva”: características que proporcionaram benefícios para determinadas funções do cérebro podem ter vindo acompanhadas de riscos adicionais.

Pesquisas futuras

Os resultados podem abrir novas linhas de investigação sobre a relação entre evolução, genética e condições neuropsiquiátricas.

Segundo os pesquisadores, as hipóteses poderão ser testadas futuramente em células, organoides e outros modelos experimentais. Esse tipo de investigação pode ajudar a identificar mecanismos relacionados ao autismo e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de possíveis biomarcadores e estratégias terapêuticas.

O estudo foi publicado na revista científica Molecular Biology and Evolution e amplia a compreensão sobre como as mudanças que tornaram o cérebro humano único também podem ter influenciado sua vulnerabilidade a determinadas condições.