Fenômeno chegou à categoria 5 com ventos de até 270 km/h e depois foi rebaixado para a categoria 4; trajetória prevista indica deslocamento paralelo à costa mexicana
O furacão Polo colocou o litoral do México em alerta após passar por uma rápida intensificação no Oceano Pacífico e atingir a categoria 5, nível máximo da escala Saffir-Simpson.
Na noite de terça-feira (22), o sistema chegou a registrar ventos de até 270 km/h. Durante a madrugada desta quarta-feira (23), porém, perdeu força e foi rebaixado para a categoria 4, ainda com ventos de até 250 km/h.
Trajetória deve seguir paralela ao litoral
A previsão indica que o Polo deverá avançar para noroeste, seguindo paralelamente à costa do Pacífico mexicano.
Com a trajetória prevista, não há indicação, neste momento, de impacto direto sobre as populações costeiras. Mesmo assim, o sistema pode provocar chuvas fortes, inundações, deslizamentos de terra e condições perigosas no mar.
O Serviço Meteorológico Nacional do México prevê rajadas de vento entre 70 e 90 km/h e ondas de 7 a 9 metros nas costas de Colima, Michoacán e Guerrero. Em Jalisco e Oaxaca, as ondas podem chegar a entre 2 e 3 metros.
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) alerta que ainda existe incerteza sobre o quanto o furacão poderá se aproximar da costa mexicana.
Aulas são suspensas em municípios costeiros
Diante das condições meteorológicas, autoridades educacionais anunciaram a suspensão das aulas em municípios do litoral de Guerrero e Michoacán nesta terça e quarta-feira (23).
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu atenção à população da costa do Pacífico e afirmou que, até o momento, o sistema provoca chuvas intensas, mas não há previsão de que atinja diretamente o território.
A ressaca provocada pelo Polo também já começou a afetar praias de Guerrero.
Intensificação ocorreu em cerca de 36 horas
O Polo chamou atenção pela velocidade com que ganhou força.
Meteorologistas apontam que o sistema passou de tempestade tropical para furacão de categoria 5 em aproximadamente 36 horas, colocando o fenômeno entre os que mais rapidamente chegaram à categoria máxima da escala Saffir-Simpson.
O processo de intensificação ocorreu em condições consideradas favoráveis no Pacífico, com águas oceânicas muito aquecidas.
Relação com o chamado “super El Niño”
A rápida intensificação do Polo ocorre durante um episódio de El Niño considerado excepcionalmente forte.
Em 19 de setembro, as temperaturas diárias da superfície do mar em uma região importante do Pacífico centro-oriental estavam 3,05°C acima da média, superando o recorde anterior de 3,02°C registrado durante o El Niño de 2015.
Outros indicadores do chamado informalmente de “Super El Niño” ainda não haviam atingido níveis recordes, mas especialistas consideram possível que isso aconteça, já que o pico do fenômeno não é esperado antes do final deste ano.
El Niño favorece maior atividade no Pacífico
O El Niño pode provocar mudanças nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.
No Pacífico, o fenômeno tende a favorecer maior atividade de tempestades e furacões. Já no Atlântico, as mudanças nos padrões de vento podem reduzir a formação de furacões.
Até o momento, em 2026, nenhum furacão havia sido registrado no Atlântico, estabelecendo um recorde de tempo sem o primeiro furacão da temporada desde o início do monitoramento por satélite.
Especialistas ressaltam, porém, que cada episódio de El Niño apresenta características próprias e que sua intensidade não determina necessariamente que todos os impactos climáticos também serão recordes.
O fenômeno pode aumentar o risco de tempestades e inundações em algumas áreas e favorecer condições de seca e incêndios florestais em outras regiões.




