Pacote prevê supercomputador no Rio Grande do Norte, centro de computação avançada no Rio de Janeiro e desenvolvimento de chips com tecnologia aberta
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (20) um pacote de R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial (IA) no Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Parque Tecnológico de Macaíba, no Rio Grande do Norte.
Os recursos serão destinados principalmente à compra de um supercomputador, à criação de uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, ao desenvolvimento de chips livres de patentes e à criação de uma infraestrutura de nuvem brasileira.
Supercomputador de R$ 1 bilhão
Cerca de R$ 1 bilhão será utilizado na compra de um supercomputador de inteligência artificial, que deverá ser instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, no Rio Grande do Norte.
A máquina terá capacidade estimada de 7.200 petaflops em precisão de 16 bits. Segundo o governo, o equipamento poderá reduzir de anos para cerca de um mês o tempo necessário para treinar modelos de linguagem de grande porte.
O edital também deverá exigir transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, participação de fornecedores brasileiros e capacitação de 5 mil profissionais em cinco anos.
Parceria com a Huawei
Outro R$ 1,276 bilhão será destinado, ao longo de cinco anos, a uma infraestrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a chinesa Huawei.
O centro deverá começar a operar em 2027 e terá como objetivo desenvolver um grande modelo de linguagem, com cooperação da empresa chinesa iFlytek. A proposta prevê tecnologias com capacidade de atuação em português e espanhol.
A iniciativa também prevê a capacitação de 3 mil profissionais brasileiros e transferência de tecnologia.
Desenvolvimento de chips
O pacote inclui ainda R$ 125 milhões para o desenvolvimento de chips livres de patentes. A estratégia tem horizonte de 10 a 15 anos e busca reduzir a dependência brasileira de tecnologias controladas por empresas e países estrangeiros.
O projeto utilizará a arquitetura RISC-V, uma tecnologia aberta que permite desenvolver e adaptar chips sem depender de projetos proprietários.
A iniciativa será conduzida pelo Instituto Eldorado, em Campinas, e deverá buscar outros R$ 125 milhões em investimentos privados.
Nuvem brasileira
O governo também anunciou a criação de uma chamada “nuvem brasileira”, com computadores instalados no país e controle sobre os softwares utilizados.
A proposta prevê ampliar a infraestrutura pública de computação e estimular que servidores utilizados pelo governo passem a ser fabricados no Brasil e utilizem software compartilhado com a União.
O pacote faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e utiliza recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).





