Guilherme Pikunas obteve decisão liminar favorável após questionar judicialmente sua exoneração, assinada pelo presidente da Câmara, Júlio Kuller.
Política Ponta Grossa

Guilherme Pikunas obteve decisão liminar favorável após questionar judicialmente sua exoneração, assinada pelo presidente da Câmara, Júlio Kuller.

09/10/2026 | 14:25 Por Redação MZ

A exoneração de Guilherme Andrigo Pikunas, assessor parlamentar do gabinete da vereadora Enfermeira Marisleidy, ganhou um novo capítulo na Justiça. Após ingressar com mandado de segurança contra o ato administrativo que o retirou do cargo, Pikunas obteve decisão liminar que determina sua readmissão à Câmara Municipal de Ponta Grossa.

O caso teve início após Pikunas tornar pública uma denúncia envolvendo uma suposta prática de “rachadinha”, com questionamentos sobre possíveis contribuições financeiras relacionadas a ocupantes de cargos comissionados. As alegações ainda dependem de apuração pelas instâncias competentes.

No dia 5 de outubro, quando reassumiu a presidência da Câmara, o vereador Júlio Kuller assinou a exoneração do assessor, que trabalhava no gabinete da Enfermeira Marisleidy.

Pikunas contestou a medida judicialmente e sustentou que a decisão administrativa atingiu sua atuação profissional dentro de um gabinete parlamentar. A vereadora Marisleidy também encaminhou ofício à Presidência da Casa questionando a exoneração e informando que a medida havia sido tomada sem seu consentimento.

Com a decisão liminar favorável ao assessor, o caso passa a envolver não apenas a exoneração de um servidor comissionado, mas também os limites da atuação administrativa da Presidência diante das prerrogativas de um gabinete parlamentar.

“Quando uma exoneração é questionada na Justiça e o Judiciário determina o retorno do servidor, é preciso olhar com atenção para os fundamentos dessa decisão. A Câmara precisa respeitar a legalidade, a autonomia dos gabinetes e o direito de que denúncias sejam devidamente apuradas”, afirma Pikunas.

O episódio também levanta questionamentos sobre a necessidade de apuração transparente da denúncia apresentada e sobre a garantia de que atos administrativos não sejam utilizados para constranger ou retaliar quem apresenta questionamentos de interesse público. A eventual existência de retaliação, entretanto, deverá ser demonstrada a partir dos fatos e dos elementos do processo.

A decisão judicial representa um novo desdobramento do caso. O debate agora envolve o cumprimento da determinação, os fundamentos jurídicos da exoneração e a apuração das denúncias apresentadas.

Acompanhe um trecho da decisão:

“A ausência de requisição da parlamentar, nesse contexto, não constitui mero aspecto formal desprovido de relevância. Ao contrário, constitui elemento objetivo que, conjugado à vinculação expressa do impetrante ao gabinete e à ausência, até o momento, de indicação de falta funcional ou outra circunstância administrativa concreta que justificasse sua retirada, confere plausibilidade à alegação de desvio de finalidade.”

A decisão também registra que a exoneração ocorreu após a apresentação de denúncias relacionadas à Administração Pública. Segundo o magistrado, embora a proximidade temporal entre os fatos, isoladamente, não seja suficiente para demonstrar retaliação, ela reforça a necessidade de esclarecimentos pelas autoridades responsáveis.

Com base nesses elementos, o juiz deferiu a liminar e determinou o imediato restabelecimento de Guilherme Andrigo Pikunas no cargo, com retorno às funções e à folha de pagamento, até nova deliberação judicial.

O espaço permanece aberto para manifestação do presidente Júlio Kuller e da Presidência da Câmara Municipal.