Hospital de Curitiba realiza pela primeira vez cirurgia de estimulação cerebral profunda para pacientes com Parkinson
Saúde

Hospital de Curitiba realiza pela primeira vez cirurgia de estimulação cerebral profunda para pacientes com Parkinson

06/10/2026 | 10:01 Por Redacao

Procedimento realizado pelo Complexo Hospital de Clínicas da UFPR pode melhorar sintomas motores, reduzir medicamentos e ampliar a autonomia dos pacientes

O Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), vinculado à HU Brasil, realizou pela primeira vez uma cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS). O procedimento foi realizado na última segunda-feira (28) e é indicado para pacientes com Parkinson que estão em uma fase específica da doença.

A técnica é destinada a pacientes que ainda apresentam resposta aos medicamentos, mas passaram a enfrentar oscilações importantes dos sintomas ao longo do dia, movimentos involuntários ou tremores de difícil controle.

Segundo o neurocirurgião Leonardo Frizon, o procedimento pode ser indicado nesses casos para auxiliar no controle dos sintomas.

Estimulador funciona como um “marcapasso” cerebral

De acordo com Frizon, o equipamento implantado durante a cirurgia funciona de maneira semelhante a um “marcapasso”, estimulando determinadas regiões do cérebro para ajudar no controle dos sintomas da doença.

Após a alta hospitalar, o paciente retorna aproximadamente 30 dias depois da cirurgia para que o aparelho seja ligado. A partir desse momento, os profissionais começam a avaliar os efeitos da estimulação.

A cirurgia não cura o Parkinson, mas pode contribuir para uma melhora significativa dos sintomas motores, além de reduzir a necessidade de medicamentos e proporcionar ganhos de qualidade de vida e autonomia.

Ambulatório foi criado em julho de 2026

O ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR foi criado em julho de 2026 e recebe pacientes encaminhados internamente pelo Serviço de Neurologia.

Além da estimulação cerebral profunda para pacientes com Parkinson, o serviço também deverá realizar procedimentos destinados a outros distúrbios do movimento, como distonias, caracterizadas por contrações involuntárias, e tremor essencial.

Outra técnica prevista é a rizotomia dorsal seletiva, um procedimento minimamente invasivo voltado a pacientes com paralisia cerebral e espasticidade, condição marcada por rigidez involuntária.

O ambulatório também realiza procedimentos e neurocirurgias voltados ao tratamento da dor.

Avaliação envolve equipe multidisciplinar

A indicação dos procedimentos é analisada por uma equipe multidisciplinar formada por neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião.

Segundo Leonardo Frizon, coordenador do ambulatório, os profissionais avaliam conjuntamente cada caso antes de definir se o paciente é candidato à cirurgia.

A previsão do serviço é realizar uma cirurgia de estimulação cerebral profunda por mês, conforme houver pacientes considerados aptos para o procedimento.