Imagens mostra casal usando cartões do PG+Humana em supermercados de Ponta Grossa
Ponta Grossa

Imagens mostra casal usando cartões do PG+Humana em supermercados de Ponta Grossa

18/09/2026 | 08:18 Por Redacao

Servidora municipal e companheiro foram indiciados pela Polícia Civil em investigação sobre suposto desvio de mais de R$ 22 mil em benefícios destinados a famílias em situação de vulnerabilidade.

Imagens de câmeras de segurança de supermercados registraram uma servidora municipal de 37 anos e o companheiro dela, de 38, utilizando cartões sociais do programa PG+Humana, em Ponta Grossa. O casal foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná após investigação sobre suposto desvio de benefícios assistenciais.

O inquérito foi conduzido pelo 2º Distrito Policial de Ponta Grossa. Segundo a Polícia Civil, os dois foram indiciados pela prática continuada dos crimes de peculato-desvio e inserção de dados falsos em sistema de informações.

Câmeras registraram uso dos cartões

Durante a investigação, a Polícia Civil analisou imagens de câmeras de segurança de supermercados e comparou os registros com as transações realizadas pelo sistema Viasoft Pay.

Conforme a investigação, datas e horários das compras que aparecem nas gravações coincidem com movimentações realizadas por meio dos cartões sociais.

Os cartões teriam sido utilizados para comprar alimentos, produtos de consumo pessoal e até eletrodomésticos em estabelecimentos credenciados.

Cartões teriam sido emitidos sem conhecimento de beneficiários

A servidora atuava como educadora social em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e possuía credenciais de acesso restrito aos sistemas administrativos.

A Polícia Civil aponta que, entre novembro de 2025 e julho de 2026, ela teria utilizado esse acesso para emitir cartões do PG+Humana em nome de beneficiários sem que eles soubessem. Cartões também teriam sido emitidos em nome de pessoas já falecidas.

Ainda segundo a investigação, relatórios fictícios de atendimentos teriam sido inseridos no sistema para manter a liberação dos créditos.

Polícia aponta desvio de R$ 22 mil

O prejuízo calculado durante a investigação chega a R$ 22.000,21, montante equivalente a aproximadamente 100 parcelas do benefício, que disponibiliza cerca de R$ 220 mensais por família.

As suspeitas foram identificadas após auditorias e cruzamentos de dados realizados pela Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG). Beneficiários também foram ouvidos durante a apuração.

A servidora foi afastada preventivamente das atividades no CRAS.

Celular apreendido entrou na investigação

A Justiça autorizou medidas cautelares, incluindo o afastamento da servidora do cargo e uma busca e apreensão na residência do casal.

Durante a operação, o celular da investigada foi apreendido. Após autorização judicial para extração dos dados, a Polícia Civil afirma ter encontrado conversas entre os investigados, fotografias de cartões sociais, consultas de saldo e mensagens relacionadas ao uso dos benefícios.

Os dois foram chamados para prestar depoimento e permaneceram em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas.

Com a conclusão do procedimento policial, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Paraná para as medidas cabíveis.