Uma grande operação da Polícia Civil mobilizou mais de 350 agentes e terminou com 72 pessoas presas nesta quarta-feira (4), no Rio Grande do Sul. A ofensiva, denominada Operação Padrinho, teve como alvo uma organização criminosa investigada por homicídios, tráfico de drogas e controle territorial na região central do estado.
As diligências foram concentradas em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além de unidades prisionais. Ao todo, foram cumpridas mais de 230 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, sequestro de veículos e bloqueio de contas bancárias.
A investigação começou em agosto de 2025, depois de um homicídio registrado em Santa Maria. Na ocasião, a vítima foi morta com 15 disparos de arma de fogo em frente à própria residência.
A análise da rota de fuga dos autores levou os investigadores a identificar a possível participação de uma organização criminosa com estrutura hierarquizada e atuação na região. Conforme a Polícia Civil, o assassinato teria sido uma retaliação determinada pela liderança do grupo em razão de um conflito anterior entre criminosos.
Com o avanço das apurações, os policiais identificaram uma divisão de funções entre os integrantes e uma estrutura de comando que alcançava pessoas dentro e fora do sistema prisional.
Um dos pontos considerados relevantes pela investigação é a suspeita de que ordens para execuções e outras atividades criminosas eram transmitidas a partir de dentro de presídios. A organização também é investigada por utilizar recursos provenientes do tráfico de drogas para financiar suas atividades.
Segundo a Polícia Civil, o grupo empregava armas de grosso calibre, incluindo fuzis e pistolas, para executar crimes e intimidar rivais. A investigação aponta ainda que a estrutura criminosa mantinha influência sobre galerias do sistema prisional.
Entre os alvos da operação está um homem conhecido como “Padrinho”, referência à forma como era tratado pelos subordinados. Conforme a investigação, ele teria papel de liderança e seria responsável por determinar ações contra grupos rivais e pessoas apontadas como informantes.
A ofensiva também buscou atingir o patrimônio e a logística da organização, por meio do bloqueio de recursos financeiros e do sequestro de veículos. Os presos foram encaminhados ao sistema prisional, enquanto as investigações continuam para responsabilizar os demais envolvidos.




