O governo federal já liberou R$ 7,7 bilhões em recursos extras do Ministério da Saúde em 2026, oficialmente classificados como “parcela suplementar”. Embora não sejam emendas parlamentares, deputados e senadores aparecem em documentos e publicações como responsáveis por indicar ou intermediar parte dos valores.
No Paraná, foram identificados pelo menos três casos. Em Planalto, a prefeitura informou ter recebido R$ 600 mil como “emenda” da deputada Gleisi Hoffmann, mas o recurso pertence ao orçamento do Ministério da Saúde. Em Londrina, houve R$ 400 mil destinados por meio da pasta, além de pedidos que somam R$ 16,55 milhões, dos quais R$ 5 milhões teriam sido indicados pelo deputado Luiz Carlos Hauly.
Os recursos não seguem as mesmas regras de transparência impostas pelo STF às emendas parlamentares, o que dificulta identificar quanto foi efetivamente intermediado por congressistas.
O Ministério da Saúde nega influência política e afirma que os repasses são analisados tecnicamente e existem desde a década de 1990 para complementar o custeio emergencial da saúde.
Apesar disso, parlamentares de diferentes partidos têm divulgado atuação na liberação de valores. Casos semelhantes foram registrados também no Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal.
A principal discussão envolve justamente a falta de mecanismos que permitam rastrear a participação política nos repasses, já que os recursos são oficialmente classificados como verba do próprio Ministério da Saúde.





