PF deve intimar Lulinha em investigação sobre suposto tráfico de influência
Brasil Política

PF deve intimar Lulinha em investigação sobre suposto tráfico de influência

18/08/2026 | 18:11 Por Redacao

Depoimento deverá ocorrer após análise de mensagens encontradas no celular da empresária Roberta Luchsinger; defesa questiona autenticidade do material

A Polícia Federal deve intimar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para prestar depoimento no inquérito que investiga um suposto esquema de tráfico de influência no governo federal.

A oitiva deverá ocorrer após a conclusão da análise de mensagens encontradas no celular da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os investigadores trabalham com um cronograma para avançar na apuração. A primeira etapa envolve a avaliação do volume de conversas mantidas desde 2023. Na sequência, deverão ser realizados os depoimentos dos investigados.

A possibilidade de solicitação de novas medidas judiciais antes das oitivas, entretanto, não está descartada. O inquérito foi aberto após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mensagens citam reuniões no governo

As conversas analisadas pela PF mencionariam reuniões, contatos com integrantes do governo e negociações empresariais.

Os investigadores buscam esclarecer se Lulinha teria utilizado sua proximidade com pessoas ligadas ao Palácio do Planalto para beneficiar empresas ou facilitar negócios com órgãos públicos.

Em uma mensagem atribuída ao filho do presidente, enviada em março de 2024, ele teria mencionado reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Uma das linhas da investigação envolve possíveis articulações relacionadas à comercialização de produtos derivados de cannabis.

A suspeita é de que contatos tenham sido realizados no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência com o objetivo de favorecer interesses empresariais.

Até o momento, não existe denúncia ou condenação contra Lulinha relacionada ao caso.

Conversa menciona possível negócio na Telebras

Outra conversa encontrada no aparelho de Roberta Luchsinger cita uma pessoa que estaria utilizando o nome de Lulinha para tentar fechar um negócio na Telebras.

Na troca de mensagens, o filho do presidente teria perguntado se a informação já havia sido desmentida.

Roberta também é investigada sob suspeita de utilizar sua proximidade com Lulinha para obter acesso a integrantes do governo.

A empresária manteve relações profissionais com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como personagem central em outra investigação da Polícia Federal.

Defesa questiona autenticidade das mensagens

A defesa de Lulinha afirmou que não é possível confirmar a autenticidade das mensagens divulgadas.

Os advogados também classificaram o vazamento do conteúdo como criminoso e alegaram que os diálogos foram apresentados fora de contexto.

A investigação segue em andamento, e os depoimentos deverão ocorrer após a análise do material apreendido pelos investigadores.