Ponta Grossa aprova novos radares que calculam velocidade média e identificam placas em tempo real; veja onde foram testados
Ponta Grossa

Ponta Grossa aprova novos radares que calculam velocidade média e identificam placas em tempo real; veja onde foram testados

14/10/2026 | 10:22 Por Redacao

Equipamentos passaram por avaliações nas avenidas Visconde de Taunay e Ernesto Vilela, com índices de precisão superiores a 95%. Sistema também identifica infrações, emite alertas sobre veículos com restrições e funciona durante quedas de energia.

Ponta Grossa avançou no processo de implantação de um novo sistema de fiscalização eletrônica de trânsito. Nesta quarta-feira (14 de outubro), a Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública (SMCSP) publicou no Diário Oficial do Município o relatório final que aprova os equipamentos apresentados pela empresa Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda.

A aprovação ocorreu por unanimidade após uma série de testes práticos realizados em agosto, nas avenidas Ernesto Vilela e Visconde de Taunay.

Entre as tecnologias avaliadas estão radares capazes de calcular a velocidade média dos veículos em determinado trecho, identificar placas automaticamente e reconhecer diferentes tipos de infrações.

Os equipamentos também possuem recursos de monitoramento em tempo real, que permitem emitir alertas sobre veículos previamente cadastrados com restrições.

A aprovação técnica, entretanto, não significa que os novos radares já estejam em funcionamento definitivo ou aplicando multas por velocidade média. O processo licitatório ainda precisa passar pelas etapas de homologação e assinatura do contrato.

Veja onde os novos radares foram testados em Ponta Grossa

A avaliação ocorreu entre os dias 12 e 14 de agosto de 2026, com três modelos de equipamentos instalados em pontos de grande circulação de veículos.

Os locais escolhidos foram:

1. Avenida Visconde de Taunay, nº 2300

  • Sentido: Centro/Bairro;
  • Equipamento: controlador de trecho (Tipo I);
  • Tecnologia avaliada: identificação de veículos e cálculo da velocidade média em trechos monitorados.

2. Avenida Ernesto Vilela com Rua Édipo Ferreira dos Santos Ribas

  • Sentido: Bairro/Centro;
  • Equipamento: controlador de cruzamento semaforizado (Tipo II);
  • Tecnologia avaliada: fiscalização de infrações relacionadas à sinalização e ao tráfego.

3. Avenida Ernesto Vilela, nº 860

  • Sentido: Centro/Bairro;
  • Equipamento: redutor de velocidade ou lombada eletrônica (Tipo III);
  • Tecnologia avaliada: controle de velocidade com painel luminoso, incluindo teste de visibilidade a 100 metros.

Os três aparelhos foram submetidos a uma avaliação de funcionamento contínuo durante 72 horas.

Novos radares conseguem calcular a velocidade média dos veículos

Uma das principais novidades do sistema é a capacidade de calcular a velocidade média de um veículo ao longo de determinado trecho.

Diferentemente dos radares convencionais, que registram a velocidade em um ponto específico, essa tecnologia utiliza a identificação da placa em diferentes locais de monitoramento.

Com essas informações, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida entre os pontos.

O recurso foi aprovado na avaliação técnica e pode ampliar as possibilidades de fiscalização do trânsito.

A utilização dessa tecnologia para aplicação de penalidades, porém, depende das exigências legais e regulamentares pertinentes. A aprovação no teste não representa, por si só, autorização para multar motoristas com base na velocidade média.

Sistema também identifica avanço de sinal vermelho e outras infrações

Os testes não ficaram restritos ao controle de velocidade.

Os equipamentos foram configurados e avaliados para identificar diferentes situações de desrespeito às regras de trânsito.

Entre as funcionalidades aprovadas estão:

  • Registro de avanço de sinal vermelho;
  • Identificação de parada sobre a faixa de pedestres;
  • Monitoramento de invasão de faixas exclusivas de ônibus;
  • Identificação de caminhões circulando em locais ou horários proibidos;
  • Registro de veículos que não respeitam a faixa de circulação determinada pela sinalização.

O sistema também utiliza sensores não intrusivos, que permitem medir a velocidade e o comprimento dos veículos sem a necessidade de instalar laços físicos por meio de cortes no asfalto.

Com isso, os equipamentos conseguem classificar automaticamente motocicletas, automóveis, ônibus e caminhões.

Leitura de placas permite identificar veículos com restrições

Outra tecnologia aprovada durante os testes foi a Leitura Automática de Placas (LAP).

O recurso permite identificar a placa de um veículo durante sua passagem por um ponto monitorado.

Quando a identificação corresponde a um cadastro previamente inserido na plataforma, o sistema pode emitir alertas sonoros e visuais para a central de monitoramento.

Entre as situações previstas estão veículos com registros de roubo, furto ou outras restrições.

Essa funcionalidade integra o conceito de cerca eletrônica e poderá auxiliar o trabalho de monitoramento e segurança pública.

Equipamentos tiveram precisão superior a 95%

O relatório técnico divulgado pela Prefeitura apresenta resultados acima do índice mínimo de eficiência exigido na avaliação.

Para obter aprovação, a empresa precisava alcançar pelo menos 90% de eficiência na operação contínua, incluindo períodos diurnos e noturnos.

Os índices registrados foram:

Indicador avaliado Resultado
Imagens consistentes (IC) 96,07%
Leitura de placas (ILP) 95,65%
Funcionamento dos equipamentos (IF) 100%
Eficiência mínima exigida 90%

Durante as primeiras 48 horas de captação, entre 9h30 de 12 de agosto e 9h30 de 14 de agosto, os três aparelhos analisaram conjuntamente 3.433 imagens de veículos em situações de passagem monitorada ou possível infração.

As taxas de aproveitamento dos registros variaram de 95,54% a 97,42%.

Os resultados contribuíram para a aprovação unânime da empresa na Prova de Conceito.

Radares continuaram funcionando mesmo sem energia elétrica

A comissão técnica também avaliou a capacidade dos equipamentos de operar durante interrupções no fornecimento de energia.

Para realizar o teste, a alimentação elétrica comercial dos três aparelhos foi desligada.

Mesmo sem o fornecimento convencional, todos permaneceram em funcionamento por mais de 30 minutos.

Segundo o relatório, os equipamentos mantiveram 100% da operação durante esse período, utilizando sistemas internos de nobreak e baterias.

O procedimento buscou verificar a continuidade do monitoramento em situações de queda de energia.

Radar em teste ajudou a identificar veículo envolvido em acidente

Um episódio registrado durante a avaliação demonstrou outra aplicação prática da tecnologia.

Na manhã de 13 de agosto, enquanto a equipe realizava testes na Avenida Visconde de Taunay, um motorista procurou os técnicos após ter seu veículo atingido em uma colisão traseira.

O condutor pediu ajuda para identificar o outro automóvel envolvido no acidente.

Os profissionais consultaram os registros do radar em avaliação e conseguiram localizar a imagem e a placa do veículo.

O episódio foi registrado em ata pela comissão responsável pelos testes.

Empresa Splice foi aprovada por unanimidade

A avaliação técnica fez parte da Prova de Conceito do Pregão Eletrônico nº 123/2025.

O procedimento foi realizado para verificar se os equipamentos apresentados pela empresa provisoriamente vencedora atendiam às exigências estabelecidas no edital.

A análise ficou sob responsabilidade de uma comissão técnica da Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública.

Os trabalhos foram acompanhados pelo superintendente de Trânsito e Segurança Viária, João Rodrigo Pontes.

Representantes do consórcio concorrente Ponta Grossa Segura, formado pelas empresas Dataprom e Velsis, também acompanharam presencialmente os testes.

Após a avaliação, a comissão aprovou por unanimidade a Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda.

Quando os novos radares começam a funcionar em Ponta Grossa?

Apesar da aprovação técnica, ainda existem etapas administrativas a serem concluídas.

Com a publicação do relatório final, a comissão recomendou o prosseguimento da licitação, considerando as exigências da Lei nº 14.133/2021, a Nova Lei de Licitações, e as diretrizes aplicáveis do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).

O próximo passo é a homologação final do pregão e, posteriormente, a assinatura do contrato.

Depois dessas etapas, a empresa contratada ficará responsável pela locação, implantação, operação e manutenção do conjunto de equipamentos fixos de fiscalização eletrônica de Ponta Grossa.

Ainda não foi divulgada uma data definitiva para o início da operação do novo sistema.

Também não foram detalhados, nas informações apresentadas, todos os pontos que receberão os equipamentos após a contratação.