Ponta Grossa: merendeiras denunciam problemas na alimentação escolar e sobrecarga de trabalho durante CPI das Terceirizações
Ponta Grossa

Ponta Grossa: merendeiras denunciam problemas na alimentação escolar e sobrecarga de trabalho durante CPI das Terceirizações

23/10/2026 | 14:41 Por Redacao

Servidoras relataram falta de capacitação de funcionárias terceirizadas, dificuldades na entrega de alimentos, problemas de fiscalização e acúmulo de funções nas escolas municipais.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Terceirizações, da Câmara Municipal de Ponta Grossa, ouviu nesta quinta-feira (22) duas merendeiras da rede municipal de ensino sobre as condições de trabalho e a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes.

As servidoras Andressa Michele Pieckhardt e Tânia Aparecida Lazzaretti prestaram depoimentos durante mais uma etapa da investigação sobre possíveis irregularidades nos contratos de terceirização dos serviços de alimentação, limpeza e conservação das escolas.

Entre os problemas relatados estão a falta de treinamento de profissionais contratadas pelas empresas, a sobrecarga das funcionárias concursadas e possíveis falhas no transporte, armazenamento e recebimento de alimentos.

Os apontamentos fazem parte dos depoimentos prestados à comissão e ainda serão analisados no decorrer da investigação.

Merendeiras relatam falta de profissionais e treinamento

Durante a audiência, Tânia afirmou que a terceirização alterou a rotina das cozinhas escolares.

Segundo ela, além das atividades habituais, as merendeiras concursadas passaram a orientar trabalhadoras terceirizadas que, em algumas situações, chegam às unidades sem conhecimentos básicos para exercer suas funções.

Andressa também relatou dificuldades provocadas pela quantidade insuficiente de profissionais e pelas substituições frequentes de funcionárias contratadas.

A servidora afirmou que chegou a trabalhar sozinha durante vários dias e, em determinadas ocasiões, precisou contar com a ajuda de profissionais de outras áreas.

Conforme os depoimentos, responsabilidades relacionadas à organização das equipes, ao controle de horários e à fiscalização dos serviços continuam sendo assumidas, em parte, por servidoras municipais e direções escolares.

Alimentos entregues às escolas geram preocupação

A qualidade dos produtos destinados à merenda escolar foi outro tema abordado pela CPI.

Tânia relatou o recebimento de alimentos em condições consideradas inadequadas, além de divergências entre os produtos entregues e as informações registradas nas notas de entrega.

Entre os exemplos apresentados, a servidora mencionou embalagens estufadas de mandioca, situação que levou à recusa do produto e à comunicação do problema à Secretaria Municipal de Educação (SME).

Ela também apontou possíveis falhas no transporte de carnes e outros alimentos que precisam de refrigeração, incluindo entregas que, segundo seu relato, ocorreram sem a temperatura adequada.

As merendeiras afirmaram que costumam fotografar os produtos considerados irregulares e encaminhar os registros à secretaria.

Andressa demonstrou preocupação com a possibilidade de alimentos recusados em determinada escola serem posteriormente encaminhados e aceitos em outras unidades.

Fiscalização e controle de estoques também foram questionados

Os vereadores solicitaram informações sobre o acompanhamento realizado por nutricionistas, a organização dos estoques e a fiscalização dos serviços terceirizados.

As depoentes relataram dificuldades na supervisão das atividades e no recebimento dos produtos, além de mudanças nos procedimentos de fiscalização após a implantação da terceirização.

Os relatos serão considerados pela comissão na análise da execução dos contratos e das responsabilidades das empresas prestadoras dos serviços.

Servidoras apontam sobrecarga e desperdício de comida

As condições de trabalho também foram discutidas durante as oitivas.

Tânia afirmou que a falta de profissionais responsáveis pela limpeza tem levado merendeiras a auxiliarem nessas atividades, aumentando o acúmulo de funções.

Outro problema mencionado foi o descarte de alimentos preparados e não consumidos.

Segundo Tânia, após as mudanças na gestão da alimentação escolar, parte das refeições excedentes passou a ser descartada.

Andressa relatou que procura evitar o desperdício de frutas, utilizando os produtos excedentes como complemento da alimentação no dia seguinte ou disponibilizando-os aos estudantes.

CPI investiga contratos de alimentação e limpeza

A CPI das Terceirizações foi instaurada por meio do Requerimento nº 613/2026 para investigar os processos licitatórios, os contratos, a execução e a fiscalização dos serviços terceirizados nas escolas municipais de Ponta Grossa.

A comissão é composta pelos seguintes vereadores:

  • Enfermeira Marisleidy (Democrata): presidente;
  • Ede Pimentel (PDT): relator;
  • Geraldo Stocco (PV): membro;
  • Léo Farmacêutico (União Brasil): membro;
  • Florenal (Podemos): membro.

Entre os pontos investigados está a verificação de que a quantidade de trabalhadores disponibilizados pelas empresas corresponde ao previsto nos contratos.

A CPI também busca esclarecer possíveis falhas de fiscalização e situações em que atribuições das empresas terceirizadas possam estar sendo transferidas para servidores municipais.

Os depoimentos das merendeiras serão analisados em conjunto com os documentos e demais informações reunidos pela comissão.