A investigação sobre a colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha revelou uma sequência de falhas técnicas e operacionais que pode ter contribuído para uma das maiores tragédias ferroviárias recentes do país.
Um relatório preliminar divulgado nesta sexta-feira (30) pela Autoridade Independente de Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes Ferroviários aponta que o trem da companhia estatal Renfe pode ter atingido uma velocidade entre 160 e 200 km/h antes de colidir com uma composição da empresa Iryo que estava parada nos trilhos, próximo à localidade de Urda, na região de Toledo.
O acidente aconteceu na quarta-feira (28) e deixou pelo menos 69 mortos, além de mais de uma centena de feridos.
Segundo os investigadores, a situação de risco teria começado após uma falha no sistema automático de segurança ferroviária LZB, que provocou a interrupção da circulação de vários trens.
Com o problema, o controle do tráfego passou a depender de procedimentos alternativos e orientações do centro de operações em Madri.
O relatório aponta uma possível sequência de instruções e decisões que permitiu que a composição da Renfe retomasse a circulação enquanto o trem da Iryo permanecia parado à frente.
O protocolo de segurança previa uma velocidade máxima de 40 km/h nessa situação. Entretanto, a autorização teria permitido que a composição seguisse em velocidade normal.
A velocidade exata do impacto ainda depende da análise dos equipamentos de registro das locomotivas, conhecidos como caixas-pretas.
As autoridades continuam trabalhando na identificação das vítimas. Até a divulgação das informações mais recentes, apenas cinco pessoas haviam sido formalmente identificadas entre os mortos.
O governo espanhol enfrenta pressão para esclarecer as responsabilidades e revisar os mecanismos de segurança da rede ferroviária de alta velocidade.
A investigação técnica ainda não estabeleceu uma causa definitiva nem atribuiu responsabilidade individual pelo acidente.





