Projeto prevê acrescentar 600 litros de água tratada por segundo à produção atual. Companhia também planeja novos poços, adutoras e investimentos para acompanhar o crescimento da cidade.
A Sanepar planeja ampliar em aproximadamente 50% a capacidade de abastecimento de água em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O principal projeto é a implantação do Sistema Tibagi, que poderá acrescentar 600 litros por segundo à produção de água tratada no município.
Com a nova estrutura, a capacidade total prevista de produção chegará a 2.075 litros por segundo, fortalecendo o abastecimento para acompanhar a expansão urbana, o crescimento populacional e a instalação de novos empreendimentos.
O planejamento também inclui a implantação de poços, a construção de novas adutoras e a ampliação das estruturas de tratamento e distribuição.
Segundo a superintendente da região Sudeste da Sanepar, Simone Alvarenga de Campos, o Sistema Tibagi está na etapa final de ajustes de engenharia e definição do orçamento geral.
Sistema Tibagi poderá transformar o abastecimento de água em Ponta Grossa
A implantação do Sistema Tibagi é considerada uma das principais medidas para ampliar a segurança hídrica do município.
O projeto contempla diferentes etapas da estrutura de abastecimento, incluindo:
- Captação de água;
- Adução e transporte;
- Tratamento;
- Reservação;
- Distribuição à população.
Quando estiver concluído, o novo sistema terá capacidade para produzir 600 litros por segundo de água tratada, que serão incorporados à produção dos sistemas já existentes.
Atualmente, Ponta Grossa utiliza os sistemas Pitangui, Alagados e poço Pitangui.
A previsão é que, com a entrada em operação do Sistema Tibagi, a produção total alcance 2.075 litros por segundo.
A iniciativa também permitirá diversificar as fontes de captação, reduzindo a dependência dos mananciais que abastecem a cidade.
De onde vem a água que abastece Ponta Grossa atualmente?
O abastecimento de água de Ponta Grossa depende principalmente de dois sistemas.
Atualmente, aproximadamente 70% da água consumida no município é proveniente do Rio Pitangui, enquanto os outros 30% vêm do sistema de Alagados.
A implantação do Sistema Tibagi deverá representar uma nova alternativa de produção e distribuição.
A diversificação dos mananciais é apontada como uma medida importante para garantir maior estabilidade no fornecimento de água, especialmente diante do crescimento da demanda.
Sanepar prevê novos poços e módulo de tratamento
Além do Sistema Tibagi, a companhia trabalha em outras iniciativas para reforçar a produção de água.
Uma delas é a operacionalização de poços que poderão acrescentar 80 litros por segundo à capacidade de abastecimento.
Outro investimento previsto é a implantação de um novo módulo de tratamento, com capacidade para 175 litros por segundo.
O processo de licitação dessa estrutura está em andamento.
De acordo com Simone Alvarenga de Campos, os investimentos fazem parte de um planejamento integrado para ampliar a produção e melhorar a distribuição de água em Ponta Grossa.
Colônia Dona Luiza terá nova adutora de água tratada
A região da Colônia Dona Luiza, que apresenta crescimento e demanda por novos serviços, também está incluída nos investimentos previstos pela Sanepar.
Em outubro de 2026, a companhia abriu uma licitação para a instalação de uma nova adutora de água tratada.
A estrutura terá aproximadamente dois quilômetros de extensão e 400 milímetros de diâmetro.
O objetivo é aumentar a capacidade de transporte de água para atender à expansão da região.
Segundo a superintendente, a necessidade da intervenção foi identificada a partir do acompanhamento dos pedidos de viabilidade para novos empreendimentos.
Esse levantamento permite direcionar os investimentos para áreas onde existe previsão de aumento no consumo.
Obra de R$ 22,7 milhões já reforça o sistema do Rio Pitangui
Parte dos investimentos no abastecimento de Ponta Grossa já foi concluída.
Em maio de 2025, entrou em operação a duplicação da adutora de água bruta do Rio Pitangui.
A obra recebeu investimento superior a R$ 22,7 milhões e conta com aproximadamente sete quilômetros de extensão.
A estrutura é responsável pelo transporte da água captada até a Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada no Jardim Carvalho.
A duplicação integra o conjunto de melhorias realizadas para fortalecer a infraestrutura de abastecimento do município.
Sanepar monitora gosto e odor da água após problemas em Alagados
A qualidade da água também está entre as prioridades do planejamento da companhia.
No início de 2026, moradores de Ponta Grossa registraram alterações no gosto e no odor da água, associadas à proliferação de algas no reservatório de Alagados.
Diante desse cenário, a Sanepar mantém procedimentos de monitoramento dos mananciais.
Segundo Simone, as análises de gosto e odor são realizadas diariamente, embora a legislação estabeleça frequência trimestral para esse tipo de avaliação.
A companhia também acompanha semanalmente a presença de compostos como 2-MIB e geosmina, substâncias relacionadas à atividade de cianobactérias e que podem provocar alterações sensoriais na água.
De acordo com a Sanepar, esses compostos não representam risco à saúde.
Caso sejam identificadas alterações que ofereçam risco sanitário, a legislação exige comunicação imediata às autoridades de saúde e à população.
Os consumidores também podem consultar os resultados das análises de potabilidade e o Relatório Anual da Qualidade disponibilizados pela companhia.
Tecnologia canadense é testada para controlar algas em Alagados
Desde junho de 2026, a Sanepar mantém em funcionamento equipamentos com tecnologia canadense no reservatório de Alagados.
O sistema utiliza ondas eletromagnéticas e está passando por um período de testes de 12 meses.
Os equipamentos são flutuantes e funcionam continuamente.
A proposta é melhorar os níveis de oxigênio dissolvido na água, criando condições menos favoráveis à proliferação descontrolada de algas.
Uma das características da tecnologia é a possibilidade de atuação sem a aplicação de produtos químicos.
O monitoramento permitirá avaliar os resultados da iniciativa durante o período de testes.
Ponta Grossa recebeu cerca de R$ 340 milhões em investimentos
Nos últimos dez anos, Ponta Grossa recebeu aproximadamente R$ 340 milhões em investimentos da Sanepar, considerando obras e melhorias relacionadas a água, esgoto e infraestrutura administrativa.
Além desse montante, a companhia informou que existem mais de R$ 34 milhões destinados a obras em andamento até 2030, sem contar projetos que ainda estão em etapas de contratação ou elaboração.
Entre as principais intervenções estão:
- Implantação do Sistema Tibagi;
- Melhorias nos sistemas de captação de Alagados e Pitangui;
- Operacionalização de novos poços;
- Construção e ampliação de adutoras;
- Reforço na distribuição de água;
- Ampliação da capacidade de tratamento.
Durante o Fórum Empresarial de Ponta Grossa, realizado em junho de 2026, o diretor comercial da Sanepar, Sérgio Augusto Portela, destacou o volume de investimentos previstos e em execução na cidade.
Segundo ele, proporcionalmente, Ponta Grossa concentra mais ações em andamento da companhia do que outros municípios naquele momento.
O diretor afirmou que as intervenções têm como objetivo melhorar a qualidade dos serviços prestados aos consumidores.
Quando o Sistema Tibagi ficará pronto?
A Sanepar informou que o projeto do Sistema Tibagi está na fase final de ajustes de engenharia e elaboração do orçamento geral.
Ainda não foi divulgada uma data definitiva para a conclusão da obra ou para o início da operação da nova estrutura.
A expectativa é que o conjunto de investimentos contribua para atender à demanda de novos moradores, empresas e empreendimentos, além de melhorar a capacidade de produção e transporte de água.
Com a ampliação planejada, Ponta Grossa poderá contar com uma estrutura mais diversificada de captação e maior capacidade de abastecimento nos próximos anos.





