Santiago Peña perde apoio do próprio partido e enfrenta pedido de impeachment no Paraguai
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Santiago Peña perde apoio do próprio partido e enfrenta pedido de impeachment no Paraguai

05/11/2026 | 13:14 Por Redacao

Crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno deixa presidente paraguaio politicamente isolado. Congresso iniciou sessão extraordinária nesta quinta-feira (5) para discutir o afastamento do chefe de Estado e de seu vice.

A crise política no Paraguai ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (5 de novembro), após a base governista retirar o apoio ao presidente Santiago Peña e anunciar posicionamento favorável à abertura de um processo de impeachment.

O Congresso paraguaio iniciou uma sessão extraordinária para analisar o pedido de afastamento do presidente e de seu vice, em meio às consequências do fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos.

A situação se agravou depois que o presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o líder do Partido Colorado, o ex-presidente Horacio Cartes, retiraram o apoio político a Peña.

Com a adesão de parlamentares governistas à iniciativa da oposição, o presidente ficou politicamente isolado. Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, também existe a possibilidade de renúncia antes da conclusão do processo.

Congresso inicia discussão sobre impeachment

A proposta de impeachment foi apresentada por 35 deputados da oposição, que solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária.

Para dar início aos trâmites do processo, será necessária a aprovação de dois terços dos parlamentares presentes na sessão, conforme as informações divulgadas.

Todas as bancadas do Congresso anunciaram apoio à abertura do procedimento.

Até a última atualização, a sessão continuava em andamento e ainda não havia confirmação de votação definitiva sobre o início do impeachment.

O pedido também envolve o vice-presidente do Paraguai.

Fechamento do banco Ueno desencadeou crise

A instabilidade política começou após o fechamento do banco digital Ueno, ocorrido na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação da instituição.

A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para o cumprimento das obrigações financeiras do banco, situação relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.

O Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

O encerramento das atividades provocou preocupação entre os correntistas, que passaram a enfrentar dificuldades para acessar o dinheiro depositado.

Nesta quinta-feira, clientes realizaram manifestações em Assunção, capital paraguaia, em meio à crise bancária.

Oposição acusa Peña de conflito de interesses

Uma das principais questões levantadas pelos parlamentares é a antiga relação empresarial de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno.

O presidente, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025.

A oposição aponta suspeitas de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.

Os parlamentares também acusam o Banco Central paraguaio de supostamente encobrir irregularidades relacionadas à instituição financeira.

Durante a sessão no Congresso, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou politicamente o presidente pela dimensão da crise.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente”, declarou a parlamentar.

As acusações fazem parte do pedido apresentado ao Congresso e ainda dependem dos procedimentos de investigação e responsabilização cabíveis.

Executivos do banco são investigados pela Justiça

A crise financeira também provocou medidas judiciais contra pessoas ligadas ao Ueno.

Segundo as informações divulgadas, executivos da instituição se entregaram às autoridades após a expedição de mandados de prisão pela Procuradoria.

Ao todo, 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados.

As autoridades buscam esclarecer as operações financeiras e as possíveis irregularidades que levaram à liquidação da instituição.

Peña promete responsabilizar envolvidos

Antes de perder o apoio de sua base política, Santiago Peña publicou uma manifestação nas redes sociais afirmando que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça, sem exceções.

O presidente também defendeu que os interesses dos clientes prejudicados sejam colocados acima das disputas políticas.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.

Peña promulgou uma lei destinada a permitir que os clientes do Ueno recuperem seus recursos com maior rapidez.

Até a última atualização das informações, o presidente não havia se manifestado especificamente sobre a retirada do apoio de seu partido.

Crise provoca preocupação em outros bancos

Os efeitos do fechamento do Ueno também alcançaram outras instituições financeiras paraguaias.

Na quarta-feira (4), circularam relatos de falhas em aplicativos bancários, aumentando a preocupação da população com a estabilidade do sistema financeiro.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao aumento da procura de clientes interessados em transferir suas contas.

A entidade afirmou que o sistema bancário do país continuava operando normalmente.

Presidente assumiu governo em 2023

Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em 2023.

De perfil conservador, o economista também ocupou o cargo de ministro da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes, uma das principais lideranças do Partido Colorado.

A retirada do apoio de Cartes e de parlamentares governistas representa um agravamento da crise política.

O futuro do presidente dependerá agora dos desdobramentos no Congresso, que analisa a possibilidade de iniciar formalmente o processo de impeachment.