Secretário morto a tiros no Rio: PMs relatam perseguição e policial admite ter feito sete disparos de fuzil
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Secretário morto a tiros no Rio: PMs relatam perseguição e policial admite ter feito sete disparos de fuzil

20/10/2026 | 10:39 Por Redacao

Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, morreu durante uma abordagem na Avenida Brasil. Polícia Civil investiga a origem dos tiros e ainda não identificou quais armas atingiram a vítima.

A morte de Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador, está sendo investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele foi atingido por disparos durante uma perseguição policial na Avenida Brasil, na noite de segunda-feira (19).

Em depoimentos à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), policiais militares envolvidos na ocorrência afirmaram ter ouvido tiros em diferentes momentos da ação. Um dos agentes declarou que efetuou sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm, alegando ter identificado uma situação de perigo iminente.

Até o momento, a investigação não conseguiu determinar de quais armas partiram os tiros que atingiram o secretário. Também não foi esclarecida a origem dos disparos que os policiais afirmam ter ouvido.

Perseguição começou após alerta sobre veículo

Jefferson, conhecido como Jefferson da Linave, dirigia um BYD branco e retornava da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, quando foi abordado por equipes do 22º Batalhão da Polícia Militar (Maré).

Segundo os policiais, a equipe recebeu pelo rádio a informação de que um veículo branco trafegava em alta velocidade, com uma das rodas aparentemente em chamas.

Os agentes localizaram o automóvel nas proximidades do Complexo da Maré e determinaram que o motorista desligasse o motor e desembarcasse.

De acordo com os depoimentos, Jefferson não obedeceu à ordem. Os policiais também relataram ter ouvido disparos de arma de fogo naquele momento.

Um dos militares afirmou que atirou contra uma das rodas traseiras do veículo, que continuou pela Avenida Brasil.

Policiais afirmam que secretário desobedeceu a três ordens de parada

Durante o acompanhamento, segundo os relatos dos agentes, o carro ultrapassou outros dois pontos de bloqueio e realizou manobras que teriam colocado os policiais em risco.

Nas proximidades da comunidade Nova Holanda, os militares disseram ter ouvido novos disparos, supostamente vindos de um dos acessos à comunidade. A equipe afirmou que reagiu aos tiros.

Na região da Passarela 14, uma viatura interceptou o BYD. O motorista perdeu o controle, rodou na pista e atingiu uma mureta de proteção.

Os policiais afirmaram que, mesmo após a colisão, Jefferson tentou movimentar o veículo em marcha a ré, momento em que novos disparos teriam sido feitos contra os pneus.

Agente relata sete tiros de fuzil

Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que prestavam apoio à ocorrência, também declararam ter ouvido disparos.

Um dos agentes afirmou ter efetuado sete tiros de fuzil calibre 7,62 mm, justificando a ação como uma reação a uma situação de perigo iminente.

Vídeos gravados por motoristas mostram policiais efetuando disparos na direção do carro do secretário.

Depois que o veículo foi imobilizado, os militares quebraram um dos vidros para acessar o interior. Jefferson foi encontrado morto, atingido por tiros.

Até a divulgação das informações, não havia confirmação sobre a existência de uma arma com o secretário.

Policiais são afastados e armas passam por perícia

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento dos policiais militares envolvidos na abordagem.

As armas utilizadas pelos agentes foram apreendidas para perícia, e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou um procedimento interno para investigar a conduta dos envolvidos.

A Delegacia de Homicídios também abriu inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte.

Entre as medidas determinadas estão a análise das armas, possíveis exames de confronto balístico, a obtenção de imagens da ocorrência e a avaliação dos exames realizados no corpo de Jefferson.

A Polícia Civil ressalta que ainda não é possível identificar a origem dos disparos fatais, nem confirmar de onde partiram os tiros mencionados nos depoimentos dos militares.