Trump ameaça usar força militar na América Latina
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Trump ameaça usar força militar na América Latina

22/09/2026 | 17:13 Por Redação MZ

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, presidente dos Estados Unidos defendeu a atuação americana na Venezuela, endureceu o tom contra o Irã e afirmou que Washington poderá recorrer ao poder militar para proteger seus interesses no continente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (22) um discurso marcado por ameaças militares e pela defesa da política externa de seu governo durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Entre os principais pontos, Trump afirmou que os Estados Unidos poderão utilizar seu poder militar na América Latina quando considerarem necessário para proteger interesses nacionais. O republicano também voltou a ameaçar o Irã caso não seja alcançado um acordo para encerrar o conflito iniciado há quase sete meses. As declarações sobre o Irã e a possibilidade de emprego da força no Hemisfério Ocidental também foram registradas por agências internacionais nesta terça-feira.

Trump endurece discurso contra o Irã

Durante o pronunciamento, Trump reiterou que não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear e afirmou que ainda existe a possibilidade de um acordo.

O presidente americano disse acreditar que uma negociação poderá avançar depois das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, voltou a utilizar uma ameaça já feita anteriormente contra Teerã.

“Ou eu aniquilo a República Islâmica?”, declarou Trump ao apresentar as alternativas que, segundo ele, estão colocadas diante do governo iraniano.

Trump também pediu que países aliados aumentem a pressão econômica sobre o Irã.

Venezuela e poder militar entram no discurso

Ao falar sobre a América Latina, Trump defendeu as ações realizadas pelos Estados Unidos na Venezuela, que culminaram na captura de Nicolás Maduro no início de 2026.

O presidente mencionou os acordos estabelecidos posteriormente entre Washington e Caracas, inclusive envolvendo o petróleo venezuelano.

Trump afirmou que as ações na Venezuela demonstram que os Estados Unidos não aceitarão o avanço de ameaças no Hemisfério Ocidental e declarou que, se considerar necessário, seu governo utilizará o poder militar americano para proteger interesses nacionais.

Cartéis são comparados ao Estado Islâmico

O combate ao narcotráfico também ocupou parte do pronunciamento.

Trump comparou os cartéis de drogas que atuam no continente ao Estado Islâmico e defendeu uma atuação mais dura contra essas organizações.

O governo americano ampliou nos últimos meses sua atuação militar contra grupos classificados por Washington como organizações terroristas. A estratégia e operações letais contra supostas embarcações do narcotráfico têm sido alvo de críticas e questionamentos de organizações de direitos humanos.

Cuba e Groenlândia também são citadas

Trump voltou a defender mudanças políticas em Cuba e afirmou que os Estados Unidos não aceitarão que adversários estrangeiros utilizem o país como ponto de ameaça contra território americano.

Durante a menção a Cuba, integrantes da delegação cubana deixaram o plenário.

O presidente também falou sobre a ampliação da presença militar americana na Groenlândia. Nesta terça-feira, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia firmaram um acordo que prevê a expansão da presença militar americana no território, incluindo duas novas bases.

Trump critica propostas de controle da inteligência artificial

A inteligência artificial também apareceu no discurso. Trump rejeitou propostas internacionais de maior controle sobre o desenvolvimento da tecnologia e criticou alertas relacionados aos riscos associados à IA.

O posicionamento contrastou com o apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que defendeu nesta terça-feira maior cooperação internacional e mecanismos de governança para os riscos relacionados à inteligência artificial.

Trump também voltou a criticar o Tribunal Penal Internacional (TPI) e questionou a atuação de seus integrantes. Os Estados Unidos não fazem parte do tribunal.