Ícone do axé music morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, após enfrentar um câncer do sistema linfático. Velório e cremação serão reservados a familiares e amigos próximos.
A música brasileira perdeu nesta terça-feira (13) um dos grandes nomes do axé. O cantor Netinho, de 60 anos, morreu em um hospital de Salvador, na Bahia, após enfrentar por mais de um ano um câncer do sistema linfático.
Conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana”, o artista marcou gerações e ajudou a transformar o axé music em um dos ritmos mais populares do Brasil.
A morte foi divulgada na manhã desta terça-feira, provocando manifestações de pesar entre fãs e artistas.
Segundo a assessoria do cantor, por vontade expressa de Netinho, as cerimônias de despedida serão realizadas de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos.
Netinho enfrentava câncer desde 2025
O cantor anunciou publicamente o diagnóstico de câncer do sistema linfático em 22 de março de 2025.
Na ocasião, ele havia sido internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após apresentar fortes dores nas pernas.
Desde então, Netinho passou por tratamento médico e compartilhou diferentes etapas de sua recuperação nas redes sociais.
Durante esse período, o artista também mostrou mudanças em sua aparência, incluindo o momento em que raspou o cabelo em razão do tratamento.
Ao longo da luta contra a doença, manteve contato com seus admiradores e falou publicamente sobre a vida, a saúde e a possibilidade da morte.
Em uma de suas manifestações, chegou a afirmar que partiria feliz e realizado, refletindo sobre sua trajetória pessoal e profissional.
“Milla” transformou Netinho em fenômeno nacional
Entre os grandes sucessos de Netinho, a música “Milla” ocupa um lugar especial na história do axé music.
Lançada em 1996, a canção se tornou um dos maiores hits do gênero e ajudou a consolidar a carreira solo do artista.
O repertório do cantor também inclui músicas que marcaram festas, carnavais e apresentações por todo o país, como:
- “Beijo na Boca”;
- “Fim de Semana”;
- “Estrela Primeira”;
- “Barracos”;
- “A Vida É Festa”;
- “Milla”.
Com sua voz e presença de palco, Netinho conquistou projeção nacional e participou da expansão do axé para além das fronteiras brasileiras.
O artista também realizou apresentações internacionais, incluindo shows na Itália e no Chile.
Carreira começou na Bahia e ganhou força com a Banda Beijo
Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano.
Aos 10 anos, mudou-se com a família para Salvador, onde desenvolveu seu interesse pela música.
Quando completou 14 anos, recebeu da mãe seu primeiro violão, instrumento que marcou o início de sua trajetória artística.
Aos 16 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal).
Mesmo enquanto estudava, já se apresentava em pequenos eventos escolares e, posteriormente, passou a trabalhar profissionalmente em bares.
Nessa fase, seu repertório era formado principalmente por músicas da MPB e da bossa nova.
A grande virada aconteceu em 1988, quando estreou como vocalista da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador.
Naquele mesmo ano, a música “Beijo na Boca” ganhou repercussão nacional e abriu caminho para uma sequência de sucessos.
Em 1993, Netinho iniciou sua carreira solo, ampliando ainda mais sua popularidade.
Cantor também investiu na produção musical
Além de sua trajetória nos palcos, Netinho atuou como empresário no setor musical.
O artista criou um grande estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu nomes importantes da música nacional e internacional.
Entre os artistas que passaram pelo espaço estão Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.
Netinho também fundou um selo musical voltado ao lançamento de novos talentos da Bahia, contribuindo para a divulgação de outros artistas.
Sua atuação ultrapassou a carreira de cantor e alcançou diferentes áreas da indústria fonográfica.
Netinho deixa uma filha
Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003.
Do relacionamento nasceu sua filha, Bruna Trindade.
A família deverá realizar a despedida de forma discreta, conforme o desejo manifestado pelo cantor.
A assessoria informou que tanto o velório quanto a cremação serão restritos a parentes e amigos próximos.
Legado de Netinho permanece na história do axé
A morte de Netinho representa uma perda importante para a música brasileira, especialmente para o axé, gênero que ganhou projeção nacional a partir da Bahia.
Com sucessos que atravessaram décadas, o cantor ajudou a popularizar o ritmo em diferentes regiões do Brasil e no exterior.
Sua trajetória, iniciada em apresentações escolares e bares de Salvador, alcançou grandes palcos e transformou músicas como “Milla” em clássicos das festas brasileiras.
Aos 60 anos, Netinho deixa um legado musical associado à alegria, ao Carnaval e à expansão do axé music.





