PF aponta supostas vantagens recebidas por Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master
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PF aponta supostas vantagens recebidas por Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

19/06/2026 | 14:26 Por Redação MZ b

Senador nega irregularidades e afirma que não é réu nem acusado formalmente no caso investigado pela Polícia Federal.

A Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido vantagens econômicas indevidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a apuração da PF, o parlamentar teria sido beneficiado por pagamentos, uso de aeronaves, ingressos para eventos e negociações envolvendo um imóvel de alto padrão em Salvador. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma estar tranquilo em relação às investigações.

Apartamento em Salvador está entre os pontos investigados

De acordo com a Polícia Federal, um dos principais elementos analisados envolve um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões no residencial Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, área nobre da capital baiana.

Os investigadores afirmam que Jaques Wagner teria demonstrado interesse na unidade e encaminhado informações do empreendimento e do corretor responsável ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

Segundo a investigação, a negociação teria contado com a participação de pessoas apontadas pela PF como ligadas ao núcleo empresarial e financeiro relacionado ao banco.

Wagner confirmou conhecer Augusto Lima e admitiu ter solicitado que ele adquirisse o imóvel temporariamente, com a intenção de comprá-lo posteriormente. No entanto, o senador afirma que o apartamento nunca integrou seu patrimônio.

Investigação cita repasses e benefícios

Além do imóvel, a Polícia Federal investiga supostos repasses financeiros que teriam beneficiado pessoas ligadas ao núcleo familiar do senador.

Segundo os investigadores, mais de R$ 5,5 milhões teriam sido destinados à BN Financeira, empresa administrada por familiares de Wagner e considerada peça central nas apurações.

A PF também aponta como objeto de investigação o uso de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para eventos no exterior.

Parte das informações foi obtida por meio da análise de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

PF apura atuação em pautas de interesse do Banco Master

A investigação também analisa a atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas regulatórios que, segundo a Polícia Federal, poderiam beneficiar interesses relacionados ao Banco Master.

Entre os assuntos citados estão propostas envolvendo crédito consignado e discussões relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Wagner rejeita a acusação e afirma que não atuou para favorecer interesses privados do grupo econômico investigado.

O senador também destacou que orientou voto contrário à chamada “Emenda Master”, proposta que buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Dinheiro em espécie foi apreendido

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal encontrou cerca de US$ 49 mil em espécie na residência do senador, em Brasília.

Wagner confirmou ser proprietário dos valores e afirmou que o dinheiro tem origem legal, proveniente de diárias recebidas em missões oficiais ao exterior e de recursos próprios declarados à Receita Federal.

Segundo o parlamentar, os valores estavam armazenados em envelopes identificados com o timbre do Senado Federal.

Senador afirma confiar nas investigações

Em nota oficial, Jaques Wagner afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde formalmente a qualquer acusação relacionada ao caso.

O parlamentar reiterou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e manifestou confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo das investigações.

Já a defesa de Augusto Lima classificou as medidas realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias e afirmou que os fatos investigados são lícitos.