Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos conclui investigação iniciada há cerca de um ano e pode impor sobretaxas de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras.
Decisão encerra investigação comercial
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) deve divulgar nesta quarta-feira (15) a decisão final sobre uma investigação comercial que poderá resultar na aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
O processo, iniciado há aproximadamente um ano, mobilizou representantes da indústria, do agronegócio e do governo brasileiro, que participaram de consultas públicas, audiências e negociações ao longo da investigação.
Tarifas podem chegar a 37,5%
Com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, o governo norte-americano avalia a adoção de duas sobretaxas sobre produtos brasileiros.
A primeira prevê uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada também a dezenas de outros países, sob a justificativa de que essas nações não adotam medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
A segunda propõe uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que determinadas práticas adotadas pelo Brasil restringem ou oneram o comércio de empresas norte-americanas.
Segundo a avaliação do governo brasileiro, caso ambas sejam aplicadas de forma cumulativa, a sobretaxa poderá atingir 37,5% sobre parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.
Temas analisados na investigação
Durante a investigação, o USTR avaliou diversos aspectos da política comercial brasileira, entre eles:
- Sistema PIX e serviços de pagamento;
- Regulação de plataformas digitais e redes sociais;
- Acordos comerciais firmados pelo Brasil;
- Fiscalização do desmatamento ilegal;
- Acesso ao mercado brasileiro de etanol;
- Proteção à propriedade intelectual;
- Medidas relacionadas ao combate à corrupção.
Ao concluir a investigação, o órgão norte-americano afirmou que algumas dessas práticas poderiam prejudicar empresas e exportadores dos Estados Unidos.
O que é a Seção 301
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite que o governo dos Estados Unidos investigue políticas comerciais de outros países consideradas prejudiciais às empresas americanas.
Após investigação, análise técnica e consulta pública, o mecanismo autoriza a adoção de medidas de retaliação, como a aplicação de tarifas sobre produtos importados.
Esse instrumento já foi utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo outros países, especialmente durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Setor produtivo brasileiro participou de audiências
Antes da decisão final, o governo norte-americano promoveu uma consulta pública e realizou audiências nos dias 6 e 7 de julho para ouvir representantes dos setores afetados.
Participaram representantes da indústria, do agronegócio e de entidades empresariais brasileiras, que defenderam a manutenção das relações comerciais entre os dois países e argumentaram que a aplicação das tarifas elevaria custos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias e consumidores norte-americanos.
Entre as entidades participantes estiveram a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa.
O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência e defendeu o adiamento da adoção das tarifas para permitir novas negociações entre os dois países.





