João Miguel Pereira, de 22 anos, estava no micro-ônibus que foi atingido por uma carreta e deixou 23 mortos em Ipiranga; ele sofreu apenas ferimentos leves
O estudante João Miguel Pereira, de 22 anos, está entre os cinco sobreviventes da tragédia que deixou 23 mortos na BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná. O micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva foi atingido de frente por uma carreta que invadiu a pista contrária na madrugada de quarta-feira (19).
Apesar da violência da colisão, João sofreu apenas ferimentos no rosto e precisou levar pontos na sobrancelha. Ele recebeu alta horas depois do acidente.
Para o jovem, ter escapado com vida diante da dimensão da tragédia foi um milagre.
“Ter sobrevivido a um acidente nessa magnitude não tem explicação, a não ser Deus. Eu não sei como vai ser minha vida daqui para frente”, afirmou.
Banco onde jovem estava ficou intacto
João estava no banco traseiro do micro-ônibus e utilizava o cinto de segurança. Segundo ele, o local onde estava sentado foi uma das poucas partes do veículo que permaneceram intactas após a colisão.
“Os da frente ficaram todos amassados, os de trás também, e o meu lugar estava intacto”, relembrou.
O jovem viajava no veículo que transportava pacientes de Imbituva para consultas e atendimentos médicos na Grande Curitiba.
Além de João, outras quatro pessoas sobreviveram. Uma mulher de 26 anos recebeu alta. Um menino de 6 anos permanece em estado estável e perdeu a mãe no acidente. Um homem de 49 anos continua internado e outro, de 50 anos, está na UTI.
“Fiz uma oração e dormi no ônibus”
Antes da viagem, João conta que sentiu uma forte sensação de ansiedade.
“Eu estava nervoso, estava tremendo, sabe? Só que eu não sabia o porquê”, contou.
Ao entrar no micro-ônibus, escolheu um assento de onde conseguia ver o motorista. Em seguida, fez uma oração e adormeceu.
Por isso, não presenciou o momento da colisão.
“Fiz uma oração e dormi no ônibus. Quando eu acordei, já estava fora do ônibus, depois do acidente. Eu abro o olho e estou deitado na estrada”, relatou.
Ao perceber a presença de equipes da Polícia Rodoviária Federal e observar o caminhão atravessado sobre o micro-ônibus, João entendeu a dimensão do acidente.
Primeira preocupação foi com a mãe
Logo depois de perceber o que havia acontecido, João ligou para a mãe, Nilza Bernadete Ribeiro de Jesus. Segundo ele, a intenção era tranquilizá-la antes que ela recebesse informações sobre a tragédia por outras pessoas.
A mãe conta que perguntou ao filho se alguém havia morrido e se o motorista estava vivo.
Segundo Nilza, João respondeu que praticamente todos haviam morrido e que o ônibus estava completamente destruído. Para evitar assustá-la ainda mais, ele decidiu não enviar imagens do local.
Alívio pela sobrevivência e tristeza pelas vítimas
Após receber alta, João e a família passaram a conviver com sentimentos diferentes: o alívio por ele ter sobrevivido e a tristeza pelas 23 pessoas que morreram na tragédia.
“É uma angústia pelas famílias que perderam seus entes, mas é uma alegria de eu poder estar aqui com a minha família mais um dia”, desabafou o jovem.
O acidente aconteceu na madrugada de quarta-feira (19), na BR-373, entre Ipiranga e Imbituva. A colisão frontal envolveu o micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva e uma carreta e deixou 23 mortos e cinco sobreviventes.
Foto: Reproducão RPC





