Jovem que perdeu mais de R$ 500 mil em bets vende café no semáforo para superar vício
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Jovem que perdeu mais de R$ 500 mil em bets vende café no semáforo para superar vício

26/08/2026 | 13:27 Por Redacao

Gustavo Pereira, de 24 anos, começou a vender café e chocolate quente em Lages (SC) para ocupar a mente; ele está há três meses sem apostar e concilia a atividade com outros dois empregos

O dia de Gustavo Pereira, de 24 anos, começa às 4h. É nesse horário que o jovem, morador de Lages, na Serra de Santa Catarina, começa a preparar café e chocolate quente para vender em um semáforo da cidade.

A atividade surgiu como uma maneira de ocupar a mente e ajudar no processo de recuperação após anos de problemas com apostas esportivas. Gustavo começou a apostar em 2021 e, em 2024, perdeu mais de R$ 500 mil em jogos on-line.

Atualmente, ele está há três meses sem apostar e também mantém outros dois empregos. Sua rotina diária começa às 4h e termina por volta da meia-noite.

Vício em apostas começou em 2021

Gustavo conta que começou a apostar de maneira recreativa, com valores entre R$ 5 e R$ 100. Com o passar do tempo, porém, a situação saiu do controle.

Em 2024, o jovem passou a apostar valores cada vez maiores e também se envolveu com cassinos on-line. Na época, recebia cerca de R$ 10 mil por mês trabalhando como supervisor de uma grande empresa, mas afirma que praticamente todo o salário era destinado às apostas.

Além do dinheiro do trabalho, ele recorreu a empréstimos bancários e acumulou dívidas relacionadas aos negócios da família. Segundo Gustavo, ainda existem cerca de R$ 150 mil em dívidas com bancos.

Durante o período mais grave do vício, ele relata ter vendido objetos pessoais, como notebook, televisão, roupas e tênis, para conseguir continuar apostando.

Autoexclusão ajudou no processo de recuperação

Há três meses, Gustavo utilizou a ferramenta de autoexclusão de sites de apostas, disponibilizada pelo Ministério da Fazenda. Segundo ele, a medida foi fundamental para interromper o acesso aos jogos.

O jovem afirma que chegou a um momento em que não tinha mais a quem pedir dinheiro e sentia vergonha de sair de casa por causa da situação financeira provocada pelo vício.

A partir da interrupção das apostas, ele passou a procurar atividades para ocupar o tempo e evitar pensamentos relacionados ao jogo.

Venda de café virou uma forma de ocupar a mente

A venda de café e chocolate quente começou há cerca de 20 dias. Gustavo trabalha com as bebidas durante as manhãs e parte das tardes, de segunda a sexta-feira.

Além da atividade no semáforo, ele possui outros dois empregos: um relacionado a vendas durante a tarde e outro como garçom à noite.

Segundo o jovem, manter uma rotina intensa tem ajudado a diminuir a vontade de apostar.