Khalid Sheikh Mohammed e outros três réus serão julgados por tribunal militar em Guantánamo; processo se arrasta há cerca de duas décadas.
Julgamento está marcado para junho de 2028
Um juiz militar dos Estados Unidos marcou para 5 de junho de 2028 o início do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o mentor dos ataques de 11 de Setembro de 2001, e de outros três réus.
A decisão foi tomada na quarta-feira (26) e representa mais um avanço em um processo que se prolonga há cerca de duas décadas.
Os quatro acusados estão detidos na base militar de Guantánamo, em Cuba. O julgamento será realizado por um tribunal militar, seguindo as regras da Justiça Militar dos Estados Unidos.
Além de Khalid Sheikh Mohammed, serão julgados:
- Walid Muhammad Salih Mubarak bin ‘Atash;
- Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi;
- Ali Abdul Aziz Ali.
Quem é Khalid Sheikh Mohammed
Khalid Sheikh Mohammed é um dos mais conhecidos detentos da prisão de Guantánamo. Segundo a acusação, ele concebeu o plano de sequestrar aviões e treinar pilotos para executar os ataques contra as Torres Gêmeas.
O plano teria sido apresentado ao então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que posteriormente ordenou a realização do atentado.
Mohammed foi capturado durante uma operação no Paquistão em 1º de março de 2003.
O que aconteceu nos ataques de 11 de Setembro
Mohammed é acusado de planejar os ataques que resultaram no sequestro de quatro aviões comerciais.
Dois deles atingiram as torres do World Trade Center, em Nova York. Uma terceira aeronave atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
O quarto avião caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.
Os atentados de 11 de Setembro de 2001 deixaram quase 3 mil mortos.
A prisão de Guantánamo foi criada em 2002 pelo então presidente americano George W. Bush para abrigar suspeitos de terrorismo capturados após os ataques.
Acordos que poderiam evitar a pena de morte
A definição da data do julgamento ocorreu pouco mais de um mês depois de um tribunal de apelação dos Estados Unidos impedir que Mohammed e outros dois réus se declarassem culpados em acordos que evitariam a pena de morte.
O tribunal de apelação derrubou decisões anteriores de um juiz militar e do Tribunal de Revisão da Comissão Militar dos Estados Unidos, que haviam considerado válidos os acordos.
As propostas foram apresentadas no ano passado e aceitas pelo oficial responsável por supervisionar as comissões militares em Guantánamo.
Em agosto de 2025, porém, o então secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, revogou a autorização após críticas de parlamentares republicanos.
Como será o julgamento
Segundo a decisão do tenente-coronel da Força Aérea americana Michael Schrama, o processo começará com a escolha dos militares que formarão o painel responsável pelo julgamento.
As alegações iniciais serão apresentadas 30 dias após a formação do painel. Na sequência, a acusação apresentará suas provas.
A defesa poderá apresentar pedidos para que os réus sejam absolvidos. As duas partes terão oportunidade de responder aos argumentos e contestar as alegações adversárias.
A defesa começará a apresentar suas principais provas 60 dias após o encerramento da apresentação das provas pela acusação.
O processo será encerrado com a definição das penas, caso os réus sejam considerados culpados.
Schrama rejeitou o pedido dos promotores para que o julgamento começasse em janeiro de 2027. Segundo o juiz, essa data deixaria pouco tempo para solucionar questões relacionadas às provas e outros procedimentos antes do início do julgamento.





