Dívida do Corinthians: SAFiel quer negociar R$ 642 milhões da Arena com a Caixa
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Dívida do Corinthians: SAFiel quer negociar R$ 642 milhões da Arena com a Caixa

01/09/2026 | 17:07 Por Redação MZ

Grupo responsável pelo projeto se comprometeu a estruturar recursos para o pagamento antecipado da dívida, mas transformação do clube em SAF ainda depende de mudanças no estatuto e aprovações internas

Os empresários responsáveis pelo projeto SAFiel enviaram uma carta à diretoria do Corinthians propondo iniciar negociações com a Caixa Econômica Federal para buscar uma solução para a dívida da Neo Química Arena, atualmente estimada em R$ 642 milhões.

No documento, o grupo se compromete a estruturar a obtenção antecipada dos recursos necessários para a quitação da dívida. A proposta surgiu após declarações do presidente do Corinthians, Osmar Stabile, sobre a possibilidade de avançar com o projeto caso o grupo encontrasse uma solução para o débito da Arena.

Grupo quer autorização para negociar diretamente com a Caixa

A SAFiel pediu que o Corinthians formalize uma autorização para que seus representantes e assessores financeiros e jurídicos possam conduzir tratativas junto à Caixa Econômica Federal.

Entre as possibilidades previstas estão a negociação, quitação, assunção ou reestruturação da dívida relacionada à Neo Química Arena.

A carta também solicita a realização de uma reunião urgente entre os responsáveis pelo projeto e dirigentes do clube para discutir os próximos passos.

O grupo propõe, entre outros pontos, a formalização dos termos da proposta, a definição de etapas e prazos para eventuais mudanças estatutárias e a elaboração dos documentos jurídicos necessários para a operação.

SAFiel diz que tem recursos, mas operação depende de acordos

Apesar do compromisso apresentado, a carta não afirma que os empresários possuem o dinheiro disponível imediatamente para quitar a dívida.

A proposta prevê a estruturação dos recursos e a definição do formato da operação por meio de negociações.

Em nota, a SAFiel afirmou que possui condições de garantir os recursos necessários, mas ressaltou que toda a operação precisa respeitar os procedimentos internos do Corinthians e dependerá da assinatura dos contratos definitivos.

Segundo o grupo, os recursos para o pagamento da Caixa estão garantidos, desde que sejam cumpridos os ritos estatutários, realizados os levantamentos necessários e formalizados os acordos entre as partes.

Estatuto do Corinthians ainda não permite transformação em SAF

Um dos principais obstáculos para o avanço da proposta é o atual estatuto do Corinthians, que não prevê a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol.

Por isso, qualquer mudança dependerá da aprovação dos órgãos internos competentes, incluindo diretoria, Conselho Deliberativo, Conselho de Orientação, Conselho Fiscal e, quando necessário, da assembleia geral dos associados.

A própria SAFiel reconheceu no documento que não pretende antecipar ou substituir as decisões que precisam ser tomadas dentro da estrutura administrativa do clube.

Proposta prevê série de etapas

Entre os pontos apresentados pelo grupo estão:

formalização por escrito dos termos da proposta entre Corinthians e SAFiel;
autorização para negociação com a Caixa Econômica Federal;
definição de cronograma para as etapas e aprovações estatutárias;
realização de rodadas para esclarecimento de dúvidas;
elaboração dos documentos jurídicos e financeiros necessários;
estruturação de um veículo para captação dos recursos;
preparação de documentos relacionados a uma eventual SAF, incluindo estatuto social e acordo de acionistas.
Projeto enfrenta resistência dentro do clube

A possibilidade de transformar o Corinthians em SAF ainda enfrenta forte resistência interna, tanto entre dirigentes quanto entre conselheiros.

Na semana anterior ao envio da carta, representantes da SAFiel e dirigentes corintianos realizaram uma reunião para discutir o projeto. O encontro foi marcado por questionamentos técnicos e divergências, com os empresários se comprometendo a apresentar respostas por escrito.

A nova proposta coloca novamente no centro das discussões o futuro financeiro do Corinthians e a dívida da Neo Química Arena. O avanço das negociações, porém, dependerá tanto de um possível acordo com a Caixa quanto das decisões internas do clube sobre uma eventual mudança em seu modelo de gestão.