A diferença significativa na velocidade de resposta a desastres entre Curitiba, o Litoral e outras regiões do Paraná. O principal destaque é que municípios litorâneos podem esperar 24 a 36 horas pela primeira remessa de ajuda, enquanto cidades pequenas podem chegar a 48 a 72 horas.
- Período analisado: entre 2021 e 2025, o Paraná registrou 1.061 eventos climáticos, que afetaram aproximadamente 1,17 milhão de pessoas.
- Principal tipo de ocorrência: tempestades e vendavais foram responsáveis por 520 registros e atingiram cerca de 650 mil pessoas.
- Diferença regional: na Região Metropolitana de Curitiba, o tempo médio entre a decretação da emergência e a chegada da primeira remessa de socorro fica entre 6 e 12 horas.
- Na região Norte e Noroeste, o intervalo aumenta para 12 a 24 horas.
- No Litoral do Paraná, chega a 24 a 36 horas, podendo ser até quatro vezes superior ao registrado na capital.
- Em municípios de pequeno porte, a espera pode alcançar 48 a 72 horas.
Por que a ajuda demora mais?
Um dos principais problemas apontados é a chamada “última milha”, ou seja, a etapa final entre a organização do socorro e a chegada efetiva dos recursos às áreas atingidas.
No Litoral, a logística também sofre com a dependência de importantes rodovias, especialmente a BR-277 e, no caso de Guaratuba, a BR-376.
Quando ocorrem deslizamentos, bloqueios ou outros problemas nas rodovias, o transporte de materiais pode ficar comprometido. Em episódios graves registrados entre 2022 e 2023, foi necessário utilizar alternativas como transporte aéreo e fluvial.
Estrutura dos municípios é outro problema
O estudo destaca que a resposta inicial precisa ocorrer principalmente no próprio município. Porém, muitos municípios paranaenses ainda não possuem estrutura suficiente.
Uma pesquisa do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou que seis em cada dez municípios do Paraná não possuem estrutura adequada para o funcionamento da Defesa Civil.
Além disso:
- 70,93% dos municípios não possuem sistemas de alerta capazes de alcançar rapidamente toda a população;
- cerca de 270 das 399 cidades não têm servidores dedicados exclusivamente à Defesa Civil;
- aproximadamente 240 municípios não possuem estrutura física própria para o órgão;
- a utilização de cargos comissionados também pode provocar alta rotatividade de profissionais após mudanças de gestão.
Matinhos é citado como exemplo
O município de Matinhos aparece como exemplo das dificuldades enfrentadas no Litoral.
Apesar de manter alguns materiais básicos para uma primeira resposta, a cidade ainda não possui um depósito próprio capaz de armazenar grandes quantidades de materiais humanitários.
Quando ocorre uma emergência de maior proporção, parte dos recursos precisa ser enviada a partir de Curitiba, aumentando a dependência logística.
Atualmente, a estrutura municipal conta com apenas um servidor próprio, o coordenador da Defesa Civil, que recebe apoio da Guarda Municipal.
Em julho de 2026, Matinhos também criou o Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil, com o objetivo, entre outros, de viabilizar uma estrutura própria para armazenar materiais como colchões, barracas e itens necessários para abrigos.
Obras preventivas podem reduzir os impactos
Além de melhorar a estrutura da Defesa Civil, o estudo aponta que investimentos em prevenção são fundamentais para diminuir a necessidade de respostas emergenciais.
Em Matinhos, foram citadas obras como:
- limpeza e desassoreamento de mais de 25 quilômetros de canais;
- desobstrução de mais de mil bueiros;
- instalação de mais de 2 quilômetros de manilhas de PVC de 60 centímetros.
Segundo o coordenador municipal, em chuvas fortes recentes, a água chegou a baixar aproximadamente 10 minutos após o término da tempestade, indicando melhora no sistema de drenagem.
O que o estudo recomenda
Entre as principais soluções apontadas estão:
- Criação de depósitos próprios para armazenar materiais de emergência;
- Descentralização dos estoques, evitando depender exclusivamente da capital;
- Automatização do envio de materiais a partir dos alertas meteorológicos;
- Fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (COMPDECs);
- Melhoria da infraestrutura de prevenção contra alagamentos e deslizamentos;
- Ampliação dos sistemas de alerta à população.
Em resumo
O problema não está apenas na capacidade de a Defesa Civil agir, mas principalmente na estrutura disponível nos municípios e na logística para fazer os recursos chegarem rapidamente às áreas atingidas.
Enquanto Curitiba pode receber a primeira remessa de socorro em 6 a 12 horas, municípios do Litoral normalmente enfrentam 24 a 36 horas de espera, e algumas cidades pequenas podem chegar a 72 horas. A distância da capital, a concentração de estoques, a precariedade de estruturas municipais e os bloqueios nas rodovias são apontados como fatores importantes para essa diferença





