Tornados deixam lavouras, barracões e criações destruídos e causam grandes prejuízos no Paraná
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Tornados deixam lavouras, barracões e criações destruídos e causam grandes prejuízos no Paraná

11/09/2026 | 13:08 Por Redacao

Dois tornados registrados em menos de 12 horas atingiram Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu; produtores relatam perdas em lavouras, estruturas e criação de animais

Os dois tornados registrados no Paraná em menos de 12 horas, entre quarta-feira (9) e quinta-feira (10), deixaram um rastro de destruição também no meio rural. Os municípios de Francisco Alves, na região Noroeste, e Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul, tiveram propriedades atingidas por ventos fortes, granizo e chuvas intensas.

Entre os prejuízos estão lavouras destruídas, barracões derrubados, casas destelhadas, confinamentos de gado atingidos e insumos agrícolas danificados.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, reforçou a necessidade de ações preventivas e de políticas públicas para auxiliar as famílias rurais afetadas.

“Os relatos impressionam. Foram lavouras destruídas ainda na germinação, galpões e barracões derrubados, confinamentos de gado atingidos, casas destelhadas. É preciso, de forma urgente, que o poder público viabilize ações que permitam a recuperação das áreas atingidas e a retomada das atividades”, afirmou.

Segundo Meneguette, supervisores e sindicatos rurais já atuam nas regiões para verificar as primeiras necessidades dos produtores.

Produtores enfrentam perdas nas lavouras

O primeiro tornado ocorreu por volta das 17h de quarta-feira (9), em uma área pequena. Apesar da curta duração, o fenômeno atingiu a propriedade de Ricardo Travasso Raimondi.

Uma saraivada destruiu cerca de 60 hectares de soja que já estava em fase inicial de germinação.

“Como plantamos cedo, a lavoura estava em início de germinação. Como caiu uma quantidade grande de pedra, quebrou o talinho das plantas que já estavam para fora”, relatou o produtor.

Raimondi ainda não conseguiu calcular exatamente o prejuízo, porque a chuva impediu o acesso à lavoura. A área não possuía seguro.

O produtor ainda avalia a possibilidade de recuperar parte da plantação por meio de replantio, mas o custo de novos insumos deve aumentar as perdas.

Segundo tornado atingiu Espigão Alto do Iguaçu

O segundo tornado se formou por volta das 0h40 de quinta-feira (10), em Espigão Alto do Iguaçu.

De acordo com Vanderlei Rohden, técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a região mais atingida foi a comunidade de Boa Vista de São Roque e arredores.

No primeiro levantamento realizado na região, foram encontradas cerca de 20 casas atingidas, além de galpões destruídos, plantações de eucalipto derrubadas e confinamentos de gado danificados.

Em um dos confinamentos, um poste caiu e matou um animal. Também houve casos de sementes preparadas para o plantio da soja que acabaram molhadas.

Barracões e casas são destruídos

O produtor Márcio Furman foi surpreendido durante a madrugada. Em poucos minutos, dois dos três barracões utilizados para guardar maquinário foram destruídos.

A casa do produtor também ficou destelhada. Na residência do pai dele, uma árvore caiu e provocou estragos.

A residência possui seguro, mas os barracões não estavam segurados. Segundo Furman, somente a reconstrução de um dos barracões deve custar cerca de R$ 30 mil.

Além dos danos à estrutura, a chuva molhou móveis e eletrodomésticos.

Na tarde de quinta-feira, o produtor ainda estava sem energia elétrica. Segundo dados da Copel, até as 15h daquele dia, 10% do município de Espigão Alto do Iguaçu permanecia sem fornecimento de energia.

Fábrica de ração tem prejuízo estimado entre R$ 100 mil e R$ 200 mil

O produtor de leite Meysson Vetorello teve a fábrica de ração de sua propriedade, com 400 metros quadrados, completamente destruída.

A cobertura foi arrancada pelo vento e a chuva molhou o milho e o farelo de soja. A força do vento também retorceu parte da estrutura.

Vetorello estima o prejuízo entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

A fábrica produzia aproximadamente 100 toneladas de ração por mês para o rebanho leiteiro.

Em outra propriedade do produtor, localizada a 13 quilômetros dali, os insumos estavam armazenados e não foram molhados. Outros produtores da região, porém, tiveram prejuízos após adubos já recebidos serem atingidos pela chuva.

Lavoura de trigo também foi atingida

Na propriedade de Leandro Bonotto, localizada a seis quilômetros da cidade, a força do vento derrubou árvores e fez com que a lavoura de trigo se deitasse.

O produtor ainda não sabe se a plantação conseguirá se recuperar. Caso as plantas não voltem a se levantar, a colheita poderá ser comprometida.

Ventos fortes também provocaram estragos em Marechal Cândido Rondon

Além dos dois tornados, fortes tempestades atingiram diversas regiões do Paraná durante a madrugada, com rajadas intensas de vento e queda pontual de granizo.

Os maiores registros de vento foram de:

  • 112 km/h em Marechal Cândido Rondon
  • 95 km/h em Ubiratã
  • 66,6 km/h em Assis Chateaubriand

Os volumes de chuva também foram expressivos:

  • 100 mm em Campo Mourão
  • 67,6 mm em Sengés
  • 61,4 mm em Jacarezinho

Em Marechal Cândido Rondon, segundo o presidente do Sindicato Rural, Edio Chapla, os ventos provocaram principalmente danos em telhados de algumas granjas no interior do município.

A falta de energia elétrica também se tornou uma preocupação para os produtores, especialmente devido à forte produção de proteína animal e leite na região.

Sistema FAEP pede medidas para produtores atingidos

Diante dos estragos, o Sistema FAEP defende medidas como a ampliação do acesso ao seguro rural, agilidade no reconhecimento de situação de emergência nos municípios atingidos e linhas de crédito para reconstrução de estruturas e reposição de insumos.

A entidade também pediu atenção especial da Copel para o restabelecimento da energia nas áreas rurais.

Segundo Ágide Eduardo Meneguette, a falta prolongada de energia compromete atividades como a produção de leite, fabricação de ração e conservação de alimentos, aumentando ainda mais os prejuízos dos produtores.