Pai e avó são julgados sete anos após morte de Eduarda Shigematsu
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Pai e avó são julgados sete anos após morte de Eduarda Shigematsu

16/09/2026 | 13:36 Por Redacao

Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia vão a júri popular nesta quarta-feira (16), em Maringá; julgamento foi adiado oito vezes

Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia serão julgados nesta quarta-feira (16), em Maringá, no Norte do Paraná, pela morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos.

O julgamento ocorre sete anos após o crime e depois de oito adiamentos. A menina foi encontrada morta em abril de 2019, enterrada em um imóvel da família, em Rolândia, também no Norte do estado.

O caso foi transferido para Maringá por decisão de desaforamento, medida excepcional utilizada para transferir o julgamento do Tribunal do Júri para outra cidade, entre outros motivos, quando há risco à segurança, à ordem pública ou à imparcialidade do julgamento.

Investigação apontou morte por esganadura

Eduarda desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. Segundo as informações da época, ela foi à escola pela manhã, voltou para casa, deixou a mochila no sofá e não foi mais vista.

Uma câmera de segurança registrou a chegada da menina à residência às 11h52, mas não houve imagens dela deixando o local.

No dia seguinte, 25 de abril, a avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia, que tinha a guarda judicial da criança, registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Ricardo Seidi também publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo ajuda para localizar a filha.

O corpo foi encontrado na tarde de 28 de abril, por volta das 14h30, depois de uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Militar.

Eduarda estava enterrada nos fundos de uma casa pertencente à família. Ela tinha os pés e as mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida com um saco preto e uma toalha.

O laudo da Polícia Científica apontou que a menina morreu por esganadura.

Versão apresentada pelo pai foi contrariada pela perícia

Durante as investigações, Ricardo Seidi afirmou que havia encontrado a filha enforcada no quarto. Segundo a versão apresentada por ele, desesperado, decidiu esconder o corpo em outro imóvel da família.

Ele também relatou que havia um buraco no local, que teria sido aberto por causa de uma fossa. Ainda conforme essa versão, colocou o corpo no buraco, fechou o espaço com cimento e deixou o imóvel.

Entretanto, o exame pericial apontou que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão de enforcamento apresentada pelo pai.

Imagens de câmeras também registraram a chegada de Ricardo ao imóvel onde o corpo de Eduarda foi posteriormente encontrado. A movimentação ocorreu no mesmo dia em que a menina desapareceu.

Pai e avó respondem a acusações diferentes

Ricardo Seidi Shigematsu responde por homicídio qualificado, com as qualificadoras de uso de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Terezinha de Jesus Guinaia responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Segundo o Ministério Público, a avó tinha a guarda judicial de Eduarda e teria contribuído para a morte ao permitir que a menina permanecesse sob os cuidados do pai.

Ainda conforme a acusação, Ricardo rejeitava a filha e não respondia sequer pelos cuidados básicos da criança.

O processo utiliza o feminicídio como qualificadora porque, embora o crime tenha ocorrido em 2019, o feminicídio passou a ser tratado como crime autônomo pela Lei nº 14.994, de 2024.

Prisões ocorreram após a descoberta do corpo

Em 29 de abril de 2019, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária de Ricardo Seidi. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.

Terezinha foi presa no dia 30 de abril. Após 57 dias, ela passou a aguardar o julgamento em liberdade.

Posteriormente, pai e avó foram denunciados no mesmo processo e encaminhados para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Julgamento deve durar mais de um dia

A expectativa é de que o julgamento realizado em Maringá tenha duração superior a um dia.

A defesa de Ricardo informou que irá se manifestar somente durante o plenário. Os advogados afirmaram que o julgamento deve ter duração superior a três dias, com a oitiva de 12 testemunhas, além dos interrogatórios dos acusados.

A defesa declarou que pretende apresentar teses baseadas em laudos periciais, na análise da prova técnica e em contradições que, segundo os advogados, foram identificadas durante a investigação.

Já a defesa de Terezinha afirmou confiar em sua absolvição. Os advogados sustentam que, na primeira fase do processo, a Justiça de Rolândia havia impronunciado a acusada, mas que o Tribunal de Justiça do Paraná posteriormente determinou que ela fosse submetida ao Tribunal do Júri.

O julgamento ocorre nesta quarta-feira (16), em Maringá.