Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia vão a júri popular nesta quarta-feira (16), em Maringá; julgamento foi adiado oito vezes
Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia serão julgados nesta quarta-feira (16), em Maringá, no Norte do Paraná, pela morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos.
O julgamento ocorre sete anos após o crime e depois de oito adiamentos. A menina foi encontrada morta em abril de 2019, enterrada em um imóvel da família, em Rolândia, também no Norte do estado.
O caso foi transferido para Maringá por decisão de desaforamento, medida excepcional utilizada para transferir o julgamento do Tribunal do Júri para outra cidade, entre outros motivos, quando há risco à segurança, à ordem pública ou à imparcialidade do julgamento.
Investigação apontou morte por esganadura
Eduarda desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. Segundo as informações da época, ela foi à escola pela manhã, voltou para casa, deixou a mochila no sofá e não foi mais vista.
Uma câmera de segurança registrou a chegada da menina à residência às 11h52, mas não houve imagens dela deixando o local.
No dia seguinte, 25 de abril, a avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia, que tinha a guarda judicial da criança, registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Ricardo Seidi também publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo ajuda para localizar a filha.
O corpo foi encontrado na tarde de 28 de abril, por volta das 14h30, depois de uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Militar.
Eduarda estava enterrada nos fundos de uma casa pertencente à família. Ela tinha os pés e as mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida com um saco preto e uma toalha.
O laudo da Polícia Científica apontou que a menina morreu por esganadura.
Versão apresentada pelo pai foi contrariada pela perícia
Durante as investigações, Ricardo Seidi afirmou que havia encontrado a filha enforcada no quarto. Segundo a versão apresentada por ele, desesperado, decidiu esconder o corpo em outro imóvel da família.
Ele também relatou que havia um buraco no local, que teria sido aberto por causa de uma fossa. Ainda conforme essa versão, colocou o corpo no buraco, fechou o espaço com cimento e deixou o imóvel.
Entretanto, o exame pericial apontou que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão de enforcamento apresentada pelo pai.
Imagens de câmeras também registraram a chegada de Ricardo ao imóvel onde o corpo de Eduarda foi posteriormente encontrado. A movimentação ocorreu no mesmo dia em que a menina desapareceu.
Pai e avó respondem a acusações diferentes
Ricardo Seidi Shigematsu responde por homicídio qualificado, com as qualificadoras de uso de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Terezinha de Jesus Guinaia responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Segundo o Ministério Público, a avó tinha a guarda judicial de Eduarda e teria contribuído para a morte ao permitir que a menina permanecesse sob os cuidados do pai.
Ainda conforme a acusação, Ricardo rejeitava a filha e não respondia sequer pelos cuidados básicos da criança.
O processo utiliza o feminicídio como qualificadora porque, embora o crime tenha ocorrido em 2019, o feminicídio passou a ser tratado como crime autônomo pela Lei nº 14.994, de 2024.
Prisões ocorreram após a descoberta do corpo
Em 29 de abril de 2019, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária de Ricardo Seidi. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
Terezinha foi presa no dia 30 de abril. Após 57 dias, ela passou a aguardar o julgamento em liberdade.
Posteriormente, pai e avó foram denunciados no mesmo processo e encaminhados para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Julgamento deve durar mais de um dia
A expectativa é de que o julgamento realizado em Maringá tenha duração superior a um dia.
A defesa de Ricardo informou que irá se manifestar somente durante o plenário. Os advogados afirmaram que o julgamento deve ter duração superior a três dias, com a oitiva de 12 testemunhas, além dos interrogatórios dos acusados.
A defesa declarou que pretende apresentar teses baseadas em laudos periciais, na análise da prova técnica e em contradições que, segundo os advogados, foram identificadas durante a investigação.
Já a defesa de Terezinha afirmou confiar em sua absolvição. Os advogados sustentam que, na primeira fase do processo, a Justiça de Rolândia havia impronunciado a acusada, mas que o Tribunal de Justiça do Paraná posteriormente determinou que ela fosse submetida ao Tribunal do Júri.
O julgamento ocorre nesta quarta-feira (16), em Maringá.





