Stefany Roberta de Oliveira Maia foi diagnosticada com câncer de pulmão em estágio 4 e busca acesso ao zenocotuzumabe, medicamento aprovado nos Estados Unidos
A jornalista Stefany Roberta de Oliveira Maia, de 33 anos, moradora de Campo Grande (MS), enfrenta uma corrida contra o tempo para conseguir um medicamento destinado ao tratamento de um câncer raro de pulmão.
Stefany descobriu a doença em junho de 2025, após meses sentindo dores no peito e nas costas. Desde então, passou por cirurgia, quimioterapia e tratamento com medicamento oral, mas exames posteriores apontaram avanço da doença, com metástases em costelas, vértebras da coluna e na cauda do pâncreas.
A família busca conseguir o zenocotuzumabe, medicamento aprovado nos Estados Unidos e que não está disponível no Brasil para o caso relatado. Uma campanha de arrecadação foi criada enquanto também são buscadas alternativas por meio do plano de saúde e da Justiça.
Dores no peito foram os primeiros sintomas
Segundo Stefany, as primeiras dores no peito começaram no início de 2025. Como possui próteses de silicone, ela procurou um mastologista para verificar se havia alguma alteração relacionada às mamas.
Os exames realizados em fevereiro daquele ano não apontaram alterações, mas as dores continuaram.
Com o passar dos meses, ela também começou a sentir dores nas costas, principalmente do lado esquerdo. Como mantinha uma rotina ativa, fazia musculação e carregava a filha pequena no colo, inicialmente acreditou que pudesse se tratar de uma lesão muscular.
Ela passou a utilizar medicamentos e pomadas para aliviar os sintomas, mas as dores aumentaram.
No início de junho, a situação se agravou e Stefany relata que já não conseguia dormir devido às dores.
No dia 9 de junho, enquanto dirigia, sentiu uma forte dor no peito e chegou a acreditar que estava sofrendo um infarto.
Na manhã seguinte, procurou atendimento médico em Campo Grande. Após uma série de exames, uma tomografia do tórax identificou um derrame pleural e uma grande massa na região central do peito, com maior comprometimento do pulmão esquerdo, segundo o relato da paciente.
Ela passou por uma cirurgia para drenagem do pulmão e realização de uma biópsia. Cerca de 15 dias depois, recebeu o diagnóstico de câncer em estágio 4.
Exame genético identificou alteração rara
Após o diagnóstico, Stefany procurou um oncologista, que solicitou um exame de mutação genética.
De acordo com a paciente, o exame identificou uma alteração rara. Na campanha de arrecadação criada pela família, a alteração é descrita como uma fusão genética SLC3A2::NRG1.
A identificação dessa alteração levou à busca por uma terapia-alvo específica. Segundo Stefany, o medicamento indicado para o caso é o zenocotuzumabe, que não está disponível no Brasil.
Quimioterapia controlou a doença inicialmente
Stefany iniciou a quimioterapia convencional em julho de 2025. Segundo seu relato, o tratamento conseguiu controlar a doença inicialmente.
Meses depois, porém, novos exames identificaram metástases em algumas costelas.
Diante da progressão, ela passou por avaliação com um médico de São Paulo, que indicou o afatinibe. O medicamento não era específico para a mutação identificada, mas poderia ser utilizado em determinados casos.
Stefany utilizou o medicamento durante aproximadamente três meses. Depois desse período, novos exames mostraram progressão da doença, com metástases em outras costelas, em duas vértebras da coluna e na cauda do pâncreas.
Com o avanço da doença, a equipe médica decidiu retomar a quimioterapia com novas medicações. A primeira sessão desse novo tratamento ocorreu em 8 de setembro.
Após o início da nova etapa do tratamento, Stefany apresentou fortes dores e precisou ser internada. Segundo seu relato, permaneceu no hospital até 15 de setembro.
Família busca medicamento de quase R$ 6 milhões
Diante da progressão da doença e dos tratamentos realizados até o momento, a família decidiu buscar a importação do zenocotuzumabe.
Segundo a campanha de arrecadação, o medicamento está aprovado nos Estados Unidos e pode ser importado, mas o custo estimado é de aproximadamente R$ 6 milhões para cinco meses de tratamento.
A família também busca o acesso ao medicamento por meio do plano de saúde e da Justiça.
Enquanto essas alternativas são buscadas, foi criada uma campanha de arrecadação para tentar viabilizar a compra do tratamento.
Segundo Stefany, a rapidez é considerada necessária diante da evolução da doença.
“Cada dia que passa eu pioro mais, a cada dia que passa eu sofro com muitas dores.”
A campanha pública informa que o objetivo é arrecadar R$ 5.960.000,00 para o tratamento




