Decisão unânime do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro permite que o rapper responda em liberdade à ação penal em que é acusado de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, deixou de ser considerado foragido da Justiça após conseguir um habeas corpus nesta quarta-feira (23).
A decisão foi tomada por unanimidade pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e permite que o artista responda em liberdade ao processo.
Oruam é réu em uma ação penal que apura supostos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações são contestadas pela defesa.
Defesa agora busca encerrar ação penal
Após a concessão do habeas corpus, a defesa informou que pretende buscar o trancamento da ação penal.
O advogado Thiago Lemos sustenta que as provas utilizadas no processo seriam ilícitas e afirma que essa condição teria sido apontada em laudo pericial. Essa é a posição apresentada pela defesa e ainda depende de análise judicial.
Na denúncia que originou o processo, o Ministério Público do Rio de Janeiro havia solicitado a prisão preventiva do rapper sob a alegação de risco de fuga.
Com a nova decisão, as restrições de liberdade relacionadas a essa ação foram afastadas enquanto o processo continua.
Oruam e outras dez pessoas viraram réus
O Ministério Público apresentou denúncia em 30 de janeiro de 2026 contra Oruam, o pai dele, Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e outras nove pessoas.
Dois meses depois, a Justiça recebeu a denúncia, tornando os 11 acusados réus.
Segundo o Ministério Público, existiria uma estrutura destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro.
A acusação sustenta que Marcinho VP, mesmo preso há mais de 20 anos, manteria influência sobre o Comando Vermelho e participaria de decisões estratégicas e da movimentação financeira da organização. As alegações fazem parte da denúncia e ainda são objeto do processo judicial.
MP aponta diferentes núcleos no suposto esquema
A denúncia divide os investigados em quatro núcleos. Segundo o Ministério Público, haveria uma liderança encarcerada, um núcleo familiar responsável pela gestão de recursos, pessoas utilizadas para dar suporte à ocultação de patrimônio e integrantes ligados à atuação operacional nas comunidades.
Oruam é citado pela acusação no chamado núcleo familiar.
A concessão do habeas corpus não representa o encerramento da ação penal nem uma decisão sobre a culpa ou inocência do rapper. O processo continua em andamento.





