Pacote prevê anistia para 3,6 milhões de microempreendedores, renegociação de dívidas bancárias com descontos, aumento do limite de faturamento e simplificação de obrigações. Medidas dependem de diferentes etapas de implementação.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (13) um pacote de medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo uma proposta de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas inscritas na dívida ativa da União.
A iniciativa poderá beneficiar aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores a partir de 2027, caso o projeto de lei seja aprovado pelo Congresso Nacional.
O anúncio ocorreu durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília, a apenas 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A votação está marcada para 25 de outubro.
Além da anistia das dívidas públicas, o pacote prevê uma nova versão do programa Desenrola, mudanças nas regras de emissão de notas fiscais, ampliação do limite de faturamento do MEI e recursos para estimular pequenos negócios.
Perdão de dívidas poderá beneficiar 3,6 milhões de MEIs
A principal medida anunciada pelo governo é o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional para permitir a remissão integral de dívidas de microempreendedores individuais inscritas na dívida ativa da União.
Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, aproximadamente 3,6 milhões de MEIs poderão ser contemplados.
O montante estimado das dívidas chega a R$ 12,6 bilhões.
O ministro Paulo Henrique Pereira afirmou que o endividamento dos pequenos empreendedores aumentou significativamente após a pandemia de Covid-19.
Segundo ele, as medidas adotadas nos últimos anos não foram suficientes para resolver o problema, o que levou o governo a propor o perdão das dívidas acumuladas com o Estado brasileiro.
A anistia ainda não está em vigor. Para que seja aplicada, será necessária a aprovação do projeto pelo Congresso Nacional.
A previsão apresentada pelo governo é que o benefício comece a valer em 2027.
Desenrola 3.0 prevê descontos de pelo menos 90% na compra de dívidas bancárias
Outra medida anunciada é a criação do Desenrola 3.0, programa direcionado especificamente à renegociação de dívidas privadas de microempreendedores individuais.
A proposta prevê a compra de carteiras de dívidas bancárias de MEIs por meio de leilões.
Nessas operações, os descontos mínimos previstos são de 90% sobre o valor das carteiras adquiridas.
O objetivo é criar condições para a renegociação de débitos de empreendedores junto a instituições financeiras privadas.
O programa é diferente da proposta de anistia das dívidas inscritas na dívida ativa da União.
Enquanto o perdão de débitos públicos depende de aprovação legislativa, o Desenrola 3.0 é apresentado como um mecanismo de renegociação de dívidas bancárias.
Os detalhes operacionais e as condições de participação deverão ser observados na regulamentação do programa.
Limite de faturamento do MEI poderá subir para R$ 140 mil
O pacote também contempla a ampliação gradual do limite anual de faturamento permitido aos microempreendedores individuais.
Atualmente, o teto é de R$ 81 mil por ano.
A proposta estabelece os seguintes valores:
| Período | Limite anual de faturamento |
|---|---|
| Regra atual, em 2026 | R$ 81 mil |
| Proposta para 2027 | R$ 110 mil |
| Proposta para 2028 | R$ 140 mil |
A mudança poderá permitir que empreendedores ampliem suas receitas sem precisar deixar imediatamente o enquadramento como MEI.
Entretanto, os novos limites ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional.
Em junho, o governo já havia encaminhado uma proposta legislativa para ampliar o teto de faturamento e permitir a contratação de até dois funcionários pelos microempreendedores.
Governo propõe dispensar MEIs da emissão de notas fiscais para pessoas físicas
Entre as medidas anunciadas está um decreto que prevê a dispensa de emissão de notas fiscais por MEIs nas vendas de produtos e na prestação de serviços destinados a pessoas físicas.
A proposta busca reduzir exigências burocráticas para os pequenos empreendedores.
A medida foi apresentada como parte do esforço de simplificação das obrigações do setor.
A aplicação da dispensa deverá observar as regras estabelecidas pelo decreto e os procedimentos de implementação.
Nanoempreendedores poderão atuar sem CNPJ e sem emitir nota fiscal
O governo também anunciou medidas de simplificação para os chamados nanoempreendedores.
Essa categoria contempla pessoas com faturamento anual de até R$ 40.500, equivalente a uma média de R$ 3.375 por mês.
O valor corresponde à metade do limite anual atualmente estabelecido para o MEI.
Segundo o pacote anunciado, os nanoempreendedores ficarão dispensados da emissão de notas fiscais e da abertura de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
A proposta pretende facilitar a formalização e reduzir a burocracia para atividades econômicas de menor faturamento.
Pacote prevê R$ 5 bilhões para apoiar pequenos negócios
Além das cinco medidas principais, o governo anunciou a previsão de R$ 5 bilhões em recursos para fomento produtivo entre 2027 e 2030.
O investimento será direcionado ao apoio de microempreendedores individuais, com prioridade para mulheres que possuem menor faturamento.
Os recursos deverão funcionar como capital semente, destinado a estimular a atividade econômica e aumentar a produtividade dos pequenos negócios.
A iniciativa integra o conjunto de ações apresentado pelo Executivo para o fortalecimento do empreendedorismo.
Anúncio acontece na reta final da eleição presidencial
As medidas foram assinadas e anunciadas pelo presidente Lula durante evento no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (13).
O anúncio ocorreu a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Na disputa, Lula busca a reeleição contra Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal.
O pacote reúne propostas que poderão afetar milhões de trabalhadores formalizados como MEI e empreendedores de pequeno porte.
Apesar do anúncio, parte das medidas ainda depende de aprovação legislativa, regulamentação ou implementação.
O que muda agora para os microempreendedores?
Os MEIs que possuem dívidas com a União ainda não tiveram seus débitos automaticamente perdoados.
A anistia anunciada depende da aprovação do projeto de lei e tem previsão de aplicação a partir de 2027.
Da mesma forma, o aumento do limite anual de faturamento para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil ainda não está autorizado pela legislação vigente.
O governo também deverá detalhar as condições de funcionamento do Desenrola 3.0 e a implementação das medidas de simplificação.
Até que as mudanças sejam formalmente aplicáveis, os microempreendedores devem continuar observando as regras atualmente em vigor.





