Anvisa aprova novo medicamento para tratamento de câncer de pulmão avançado
Saúde

Anvisa aprova novo medicamento para tratamento de câncer de pulmão avançado

22/10/2026 | 15:02 Por Redacao

Emrelis é indicado para adultos com câncer de pulmão de células não pequenas, do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático. Agência também autorizou o registro de medicamento para câncer de mama.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão. O Emrelis, cujo princípio ativo é o telisotuzumabe vedotina, é indicado para casos específicos de câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), do tipo não escamoso, em estágio localmente avançado ou metastático.

A indicação contempla pacientes que apresentam alta expressão da proteína c-Met, possuem receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) do tipo selvagem e já receberam tratamento sistêmico.

A aprovação representa uma nova opção terapêutica para pacientes que atendem a esses critérios, especialmente em um cenário no qual as alternativas de tratamento podem ser limitadas após as terapias iniciais.

Como funciona o novo medicamento

O Emrelis foi desenvolvido para reconhecer e se ligar seletivamente à proteína c-Met, encontrada na superfície de determinadas células tumorais.

Após a ligação, o complexo é absorvido pela célula cancerígena e libera uma substância chamada monometilauristatina E (MMAE), que atua provocando a morte da célula tumoral.

A estratégia busca direcionar a ação do medicamento às células que apresentam a proteína-alvo, característica importante para a indicação específica aprovada pela Anvisa.

Estudo aponta resposta em parte dos pacientes

A aprovação do medicamento foi fundamentada principalmente nos resultados de um estudo clínico realizado com pacientes que já haviam recebido tratamento para câncer de pulmão de células não pequenas.

Na população total avaliada, a taxa de resposta objetiva foi de 29,2%. Entre os pacientes que apresentavam alta superexpressão da proteína c-Met, o índice chegou a 34,5%.

A taxa de resposta objetiva corresponde à proporção de pacientes que apresentaram redução significativa do tumor conforme os critérios estabelecidos no estudo. O resultado não significa, necessariamente, cura da doença.

Segundo a avaliação divulgada pela agência reguladora, os resultados foram associados a respostas duradouras e benefício clínico em um cenário com opções terapêuticas limitadas.

A indicação, entretanto, é restrita a pacientes que atendam aos critérios clínicos e moleculares estabelecidos para o medicamento. A utilização deve ocorrer sob orientação de uma equipe médica especializada.

Câncer de pulmão de células não pequenas representa a maioria dos casos

O câncer de pulmão está entre as principais causas de mortalidade por câncer no mundo. O câncer de pulmão de células não pequenas corresponde a aproximadamente 85% dos casos, enquanto o subtipo não escamoso representa uma parcela expressiva desse grupo.

Nos casos localmente avançados ou metastáticos, a doença pode apresentar maior complexidade de tratamento. Quando ocorre metástase, significa que as células cancerígenas se espalharam para outras partes do organismo.

Após tratamentos como quimioterapia e imunoterapia, algumas pessoas podem ter opções terapêuticas mais restritas, dependendo das características do tumor e da resposta às terapias anteriores.

Por isso, medicamentos direcionados a características moleculares específicas podem ampliar as alternativas disponíveis para determinados grupos de pacientes.

Anvisa também aprova medicamento para câncer de mama

Além do Emrelis, a Anvisa autorizou o registro do Poherdy, medicamento à base de pertuzumabe indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial ou metastático, conforme as condições previstas para o tratamento.

Nos casos de câncer de mama metastático, o medicamento deve ser utilizado em combinação com trastuzumabe e docetaxel. A indicação contempla pacientes com doença HER2-positiva metastática ou localmente recorrente e inoperável que ainda não tenham recebido tratamento com medicamentos anti-HER2 ou quimioterapia para essa condição.

Para pacientes com câncer de mama em estágio inicial, o Poherdy pode ser utilizado em associação com trastuzumabe e quimioterapia em duas situações.

Tratamento neoadjuvante

É realizado antes da cirurgia e pode ser indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo localmente avançado, inflamatório ou em estágio inicial com alto risco de recorrência, como parte de um esquema terapêutico completo.

Tratamento adjuvante

É realizado após a cirurgia e é indicado, conforme os critérios aprovados, para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial e alto risco de recorrência.

Aprovações ampliam as opções terapêuticas

Os registros autorizados pela Anvisa contemplam tratamentos para grupos específicos de pacientes com câncer de pulmão e câncer de mama.

A escolha de cada terapia depende de fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença, os resultados de exames moleculares, os tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente.

A aprovação regulatória permite o uso dos medicamentos conforme as indicações autorizadas, mas não significa que sejam adequados para todos os pacientes com esses tipos de câncer. A avaliação e a indicação devem ser feitas por profissionais de saúde.