MPT dá 48 horas para vereador se retratar após incentivar demissão de eleitores de Lula
Paraná

MPT dá 48 horas para vereador se retratar após incentivar demissão de eleitores de Lula

28/10/2026 | 12:57 Por Redacao

Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba, recebeu recomendação do Ministério Público do Trabalho para retirar publicações e esclarecer que trabalhadores não podem sofrer perseguição ou demissão por suas escolhas políticas.

O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) deu prazo de 48 horas para que o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) publique uma retratação sobre conteúdos que incentivam empresários a demitir funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A recomendação foi expedida na terça-feira (27) e prevê a possibilidade de adoção de medidas administrativas e judiciais caso o parlamentar não cumpra as orientações.

Segundo o MPT-PR, manifestações que estimulam a discriminação de trabalhadores por suas preferências políticas podem configurar assédio ou coação eleitoral.

O órgão também recomendou a retirada das publicações que motivaram a medida.

Vereador deverá publicar retratação no Instagram

A recomendação determina que Guilherme Kilter publique um novo conteúdo em seu perfil no Instagram, utilizando o mesmo formato da publicação original.

Na retratação, o vereador deverá esclarecer que todo trabalhador tem o direito de escolher livremente seus candidatos, independentemente de partido político ou posicionamento ideológico.

O conteúdo também deverá informar que empregadores não podem ameaçar, perseguir, discriminar ou demitir funcionários em razão de suas escolhas eleitorais.

Conforme a orientação do Ministério Público do Trabalho, a nova publicação deverá permanecer disponível por pelo menos cinco dias após a emissão da recomendação.

O prazo de 48 horas foi estabelecido para que o parlamentar cumpra a determinação de retratação recomendada pelo órgão.

MPT também recomenda retirada de publicações

Além da retratação, o Ministério Público do Trabalho orientou que o vereador deixe de estimular ou incentivar empregadores a adotar medidas contra trabalhadores por suas convicções políticas.

A recomendação abrange manifestações que possam incentivar:

  • Demissões motivadas por preferência partidária;
  • Ameaças contra funcionários por escolhas eleitorais;
  • Perseguição ou discriminação política no ambiente de trabalho;
  • Prejuízos profissionais decorrentes do apoio a candidatos;
  • Outras formas de constrangimento relacionadas ao exercício do voto.

O órgão também recomendou a remoção dos conteúdos que deram origem ao procedimento, incluindo materiais publicados em redes sociais, páginas na internet e aplicativos de mensagens.

Assédio eleitoral pode gerar consequências legais

O Ministério Público do Trabalho considera que manifestações que incentivam a punição de empregados por suas escolhas políticas podem representar uma forma de assédio eleitoral.

Esse tipo de conduta pode ocorrer quando trabalhadores são submetidos a ameaças, pressões ou constrangimentos relacionados ao voto.

A liberdade de escolha política é um direito assegurado aos cidadãos e não pode ser condicionada à manutenção do emprego.

No caso de Guilherme Kilter, o MPT-PR expediu uma recomendação, que não deve ser confundida com uma condenação judicial.

Entretanto, o descumprimento poderá levar o órgão a avaliar a adoção de medidas administrativas e judiciais.

Vereadora de Londrina também é citada em polêmica

A manifestação de Guilherme Kilter ocorre em meio a outras declarações de políticos sobre a relação entre emprego e preferência eleitoral.

No domingo (25), data do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessicão (PL) também publicou conteúdo defendendo a demissão de funcionários identificados como petistas.

O caso foi denunciado ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Federal (MPF) pelo deputado estadual Requião Filho (PDT).

As manifestações provocaram questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão e a proteção dos direitos políticos dos trabalhadores.

Vereador pode enfrentar medidas judiciais

Caso a recomendação não seja cumprida, o Ministério Público do Trabalho poderá avaliar outras providências para buscar a interrupção das condutas consideradas irregulares.

Até a divulgação das informações, não havia confirmação de que Guilherme Kilter tivesse publicado a retratação solicitada.

Também não foram apresentados detalhes sobre eventual manifestação do vereador em resposta ao órgão.

A recomendação do MPT-PR reforça que trabalhadores não podem ser ameaçados, perseguidos ou dispensados por suas preferências eleitorais.